20071207

Sonho Real

Tu olhavas aquela flor da janela
E sonhavas um sonho pequenino
Por seres puro, menino, roubaste esta Rosa.

Singela, pra sempre serei tua!

Recriando a Vida

"Vê como um fogo brando funde um ferro duro
Vê como o asfalto é teu jardim se você crê
Que há sol nascente avermelhando o céu escuro
Chamando os homens pro seu tempo de viver."
(Taiguara - "Que as Crianças Cantem Livres")

20071205

Tigre de Papel Crepom

"Quem cavalga um tigre tem medo de desmontar." (Provérbio chinês)

20071203

Frank "Freak" Zappa


Desenho de minha autoria feito a grafite.

20071201

Ao Meu Doce Camponês

"I will spend my whole life through
loving you, loving you
winter, summer, springtime too
loving you, loving you

makes no difference where I go
or what I do
you know that I'll always be
loving you, just you"
(Françoise Hardy - "Loving You")

"Decifra-me ou devoro-te!"

20071130

Liberdade = Loucura

Sinto-me como que andando em círculos, onde o início é o fim e o infinito torna-se o nada. As pessoas - os desbotados palhaços - à minha volta zombam de mim; percebem que, nesta patética situação, estou perdida num salão espelhado e a lugar algum consigo chegar.
Sinto-me sobre um cadafalso.
Finalmente descobri que recriar a vida diariamente é tarefa árdua e carece de transformações radicais em todos os âmbitos desta reles existência.

Surtos-psicométricos-de-qualquer-loucura

Ressuicidei!
Ressuicidei!
Ressuicidei!

La Dolce Vita

Apenas mediocridade e tagarelice, crianças falidas!
Isso é só o fim!

Ah, o mistério...

Supondo-se que a Verdade seja feminina, ela é um conceito-surpresa.

Chá de Dinamite Furta-Cor

Agridoce a(ci)dulada.

[(Deep) Purple condition.]

Descontrole

Anulemos as instâncias mais iníquas daquilo que chamamos Tempo.

O Dedo do Meio é a Mensagem

"E agora tudo o que posso fazer aos que não compreendem e pretendem para gozo próprio arrancar-me explanações é erguer o terceiro dedo de qualquer uma de minhas mãos e num amoroso gesto dizer-lhes adeus." (Pedro Moraleida)

Sabedoria Anônima de Hospital Psiquiátrico

"Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito."

"O metabolismo do cérebro humano não tem explicação científica. É considerado o maior mistério do corpo humano."

"O amor é a máquina da vida. Apenas ele pode fazer o coração cantar."

Sobre Trilhos

"Perigosa travessia, perigoso a-caminho, perigoso olhar-para-trás, perigoso arrepiar-se e parar." (F. W. Nietzsche)

20071127

Destruamos as Máquinas Vigilantes!

E QUE DEUS SALVE O GRANDE PANÓPTICO!

20071126

O Dulçor do Veneno

"Curta vigília de embriaguez, sagrada! Ainda que não seja pela máscara com que nos gratificaste. Nós te confirmamos, método! Não nos esquecemos de que ontem glorificaste cada uma de nossas idades. Temos fé no veneno. Sabemos dar a nossa vida inteira todos os dias.

Eis o tempo dos Assassinos."

(Arthur Rimbaud)

20071125

"Lost in a roman... Wilderness of pain"

Justamente. O Caos e a Loucura (desvencilhemo-nos do estigma de que ela é meramente patológica!) me fascinam! Eis a verdadeira liberdade!
Pintemos este cinzento planeta com as cores que nos restam e vençamos o abismo da miséria existencial.
Por fim, tudo se transforma numa tela de Hienonymus Bosch!
Esta apocalíptica orbe chamada Mundo necessita do aniquilamento das "leis" criadas pela Grande Engrenagem.
Estejamos prontos para a luta!
BREAK ON THROUGH!

20071124

Status Quo Derrotado

Pois bem, rotos "tipinhos" do Establishment! Eu arroto pros vossos rótulos!

20071123

Apóstrofe Apocalíptica*

ANUNCIEMOS O FIM DE TODAS AS UTOPIAS COM AS MÃOS CHEIAS DE CINZAS E COM OS OLHOS SEMPRE INJETADOS!
A AMPULHETA ESTÁ ESCASSEANDO O SEU CONTEÚDO CADA VEZ MAIS RAPIDAMENTE! NÃO HÁ MAIS TEMPO PARA A INÉRCIA!
EIS O MATRIMÔNIO DO CÉU E DO INFERNO!
ESTEJAMOS, ENFIM, "POLIDOS PARA A OCASIÃO"!

(Ah, esse "gritedo" vos incomoda?! Pois continuai acomodados em vossos rotos templos da paz ilusória! Hahahah! Idolatrai, pois, vossa "dreamland"!)

* Dedicada às almas inquietas.

20071122

Experimenta o meu néctar...

Experimenta o meu néctar!
Beber de tua seiva, meu amado,
É eterno deleite!
Eis a verdadeira entrega do Amor.
Teu peito no meu:
Sublime esboço a dois.
Eis o bailado do inviolável tremor!

Libido Enlatada


Oh, machões de plantão!
Que "tipos" de fêmeas desejam CONSUMIR, afinal?

Descarga de consciência!

No "troninho" pensa-se(?) melhor sobre (literalmente) as maiores cagadas.

Créditos da tirinha: Flávio de Almeida.
http://www.gardenal.org/flaviodiario

Leitinho em Pó


Doses homeopáticas de hipocrisia. Enquanto isso, o "pozinho" (quanta ambigüidade!) sacia a "fome".

(Have a Hollywood day!)


Créditos da tirinha: André Dahmer (demiurgo dos Malvados) e os druguinhos do blog Malvatrix.
http://www.malvados.com.br
http://www.malvatrix.blogspot.com

20071118

Estampidos, estilhaços!

As flores estão murchas. MORTAS em sua artificialidade!
Exceto a Protagonista, digna de um (e)terno fulgor.
Eis que surge esta Rosa, rainha do jardim de um jovem e doce camponês.
Eu o amo. E é pra sempre.

(A seiva da perversidade aniquilada é amarga.)

20071116

Cativante Rosa?


Eis que um doce camponês me estilhaçou essa interrogação ao atirar aquela redoma contra o Grande Muro.

Eis-me finalmente alforriada do redomático cativeiro!
Desertificados estão os jardins da inverdade!
Renasce, pois, o mito Cordélia.

("Minha Rosa,
minha Protagonista!", chamou-me o doce camponês.)

20071114

Iluminações

"Enfeitai-vos, dançai, ride. - Não poderei jamais atirar o Amor pela janela." (Arthur Rimbaud)

Lágrimas Oleosas

É preciso estar com os olhos sempre injetados de emoção.

"Excess of sorrow laughs. Excess of joy weeps." (William Blake)

Às Almas Inquietas

Imersos na chamada pós-modernidade, experimentamos, como jamais houve até então na História dos Homens, uma fragmentação generalizada da psique e, por conseqüência, de nossas próprias identidades. Será que finalmente a nietzscheana Vontade de Potência foi soterrada pelo niilismo (em sua acepção mais ampla)? Esse questionamento pode ser considerado até ingênuo, haja vista a profusão de idéias que nossos filósofos contemporâneos semearam após o Maio de 68, quando ideologias e certos "reducionismos" políticos e da ordem do discurso caíram por terra. Nunca se discutiu tanto a respeito dos impulsos de vida e de autodestruição como na atualidade. O previsível mundo maniqueísta tornou-se um mundo caótico, onde não mais divisamos os limites das palavras, das coisas e das atitudes.
O "ser-no-mundo" de Martin Heidegger dissipou-se na sedutora "sociedade do espetáculo" de Guy Debord. Imediatismo e uma desenfreada corrida em busca de uma felicidade maculada: eis o fado dos medíocres, os quais, diga-se de passagem, representam a grande maioria da atual sociedade. São maiorias que cegam-se ante a corrupção (a dita "traição") de seus próprios territórios existenciais (que agora não passam de meros simulacros).
"O Grito", famosa pintura de Edvard Munch, é um ícone atemporal. E cada vez mais nos identificamos com o esquálido desespero de uma sociedade descompassada e maquiavélica.
E não é preciso ser nenhum hermeneuta(?!) para interpretar meus dizeres. A dita "pós-modernidade" já não comporta a racionalização do pensamento como outrora. Esta é, porventura, a época da (re)descoberta dos poetas do Caos (muito mais do que simples pensadores): aquela que reflete o advento de novos modos de existência e das novas cartografias da subjetividade - não poderia deixar de citar um pouco de Gilles Deleuze!
A caverna de Platão ainda é fria e mal iluminada.
Seria a "loucura", tão repudiada pela sociedade enquanto algo meramente patológico, a manifestação da plena liberdade? Eis a minha questão.

(Certo, certo! Agora empreendamos um fantástico vôo sobre o ninho do cuco e alimentemo-nos de mel e gafanhotos! Que venham até mim os sempre-polidos-pras-ocasiões-criadas-pelo-Grande-Irmão!)

20071031

Convulsão

CONVULSÃO
Ao vislumbrar as sendas da memória
esbocei, uma a uma,
as mais pérfidas imagens
Lembranças maculadas
por sangue desferido a navalhadas.

Convulsiva, cerrei as fendas da história
com o bálsamo do perdão
Enterrei, uma a uma,
as celas da vertiginosa visão
Alegorias sufocadas,
mortes finalmente ilhadas.

Encerradas em telas.

20071025

Lírios ensaiam uma toada...

Lírios ensaiam uma toada,
rosas preparam o seu rubor.
Silenciosa sombra inviolada!
Da pureza, meu Amor,
usurpamos a insensatez
e o convulsivo tremor.
Serena, amparo a tua avidez:
contigo, meu Amor,
não temo a doce embriaguez!

20071018

Postiço

Hipercalórico.

20071017

1984

Eis o Crepúsculo dos Ídolos e a Aurora de Cordélia!

20071014

Saturação

"tu te tornas absurdo,
tu te tornas virtuoso"
(F. W. Nietzsche)

20071002

O Visível e o Enunciável

"Can you show me where it hurts?"

Quadro clínico:
Ataxiafasia teórica.
Solipsismo crítico.
Niilismo ultraviolento.
(Reversível.)

Sangue nas Retinas

"A poesia é o raro da linguagem. Mesmo que reles. E é um vampiro que se alimenta de olhares." (Paulo Leminski)

20070926

Barbie, uma Ameaça ao Feminismo


"- Uma mulher de verdade deve ser perfeita - disse Barbie, com sua voz caramelada.
- Uma mulher de verdade deve estar sempre disponível e disposta a sacrificar seus interesses pessoais para ajudar os outros e, especialmente, suas amigas.

- Que coisa estúpida! - queixou-se Domitila.

Mas aquele comentário ofendeu Barbie. Imediatamente, sua expressão ficou séria e seu tom de voz, ameaçador.

- Jamais te queixes! - gritou, com os olhos fora das órbitas e com as veias do pescoço distendidas pela raiva. Mas em um instante voltou com um sorriso nos lábios e voltou a falar com ela em tom carinhoso, como se já não recordasse que Domitila a havia enfurecido há apenas alguns segundos antes.
- Uma moça não deve queixar-se - continuou dizendo. Uma moça sempre deve dizer que sim."
(Roc Alemany)

(VADE RETRO, "Barbie Girl"! Enquanto isso, as pessoas de plástico proliferam-se loucamente...)

Tua Cordélia

TUA CORDÉLIA
Sou a tua Cordélia

Carolina cor-de-rosa
Aquela que ama e silencia.

Sou a tua Cordélia
Palidez comovente
Eloqüência que te reverencia.

Sou a tua Cordélia
Chama que jamais se apaga
E a ti, meu amigo,
te renova.

Sou a tua Cordélia
Aquela que, ao sol poente,
suspira em verso-prosa
E por ti, meu amigo,
te espera e se cala.

20070925

NIiliSmU pRuxXx MigUxXxUxXx!!!!!

"UxXx instintuxXx di ReGreXXAum ApOdERAram-Si DUxXx INstIntuxXx di PROgrEXXaUM
A vOnTaDI voLTadeenhAh pRu NaDAh si aPOdeROw daH VONtaDI vOltAdeenHaH prU ViVe
- seraH IXXU VerDAdeIRU??!?! SerAh KI NaUM HaH 1 GAranTIaH MaIor daH vidAH...DAH EspECIE...neXXAh viTOriah DUxXx fRACuxXx I dUxXx MediaNUxXx??!?!
- sERAH ki iXXu nAuM eH...tALVez...aPeNAxXx 1 1/2 NU movImenTu GLOBaU pRah ViDAh...1 rItaRdAnu??!?! 1 atITUdi dI auTOdEfezaH KonTRAh Algu ainDAh pior??!?!
- dIgamUxXx Ki uxXx ViGOrOsUxXx TiVeXXI si AXXENhOReaDU di tUDu...INCLUSiVi DUxXx JUizUxXx di valoR: AXXUmiriAmuxXx nUxXx axXx koNSequenciAxXx SobrE kOMu ElExXx pEnSAriAm A ReSpeiTU DI doEnXXAH...sofRiMEntU...saCRIFICiU??!?! 1 AutodesPreZu DUxXx frAcuxXx sEriAH A rESUlTanTi: estIxXx tRAtaRIaM di dIsAParEcE i DI sI exXxtIngUI.................. I SERAh KI IXXU SERIah...tALVeZ...diSEJaVEU??!?!..................
- i SEraH KI nUxXx REalmENtI keREriamUxXx 1 muNdU nU Kau fALtArIAh A sequElaH duxXx fRacuxXx...A Suah fINuRAH...A sUAh korTESiah...eSpIriTUaLiDAdI...fLexXxIBiLiDadI??!?!.................." (papaI FrIedRIxXx WILhELm nIeTZSxXxE)

(POTZ! Agora, sim, o mundo tá perdido MESMO!)

20070924

Um Belo Mote

Have a junkie day!

Em Prol da Apostasia Universi(o)tária

Oh, que peninha das tão obedientes vaquinhas de presépio!
Engolem a seco as idéias de seus pastores (ai deles!) e ruminam suas próprias vísceras... Vazias!
"Mestres-Doutores-Ph.D.s-e-o-caramba-a-quatro": vamos! Convido-os ao nobre trabalho de encher lingüiças com a vileza dessas pobres criaturas!
AMÉM!

Sinceridade e Pureza

"Sorriso bom, só de dentro
Ninguém é bom sendo o que não é
Eu, pra ser feliz com mentira,
Melhor que eu chore com fé."
(Taiguara - "Piano e Viola")

20070919

Frágil mente envenenada...

Frágil mente envenenada
Pobre criatura!
Onde está a tua vontade?
Onde está a tua coragem?
Pobre mau-caráter!
Tua força, meu bom selvagem,
É a veemente imaturidade.

Déspotas e Vassalos

Ah, máquinas entre tantas outras... Nós vos amamos, queridas e imundas proliferadoras de mentes plastificadas!
Amamos a (R)evolução!
Amamos a Destruição!

(Hahah! VIVA O ESTABLISHMENT!)

Bifurcações Abissais

E eis que subitamente as rotas se alteraram. Duas inquietas almas e um encontro. As mãos se atraíram num gesto de coragem e diante da dor recriaram seu bálsamo. Renovação. Agora caminhamos juntos em direção a um antro desconhecido. Deste cáustico pós-guerra emerge a arte de viver. Somos fortes. É hora de reconstruir sobre o abismo. Celebremos, pois, os desafios!

20070917

Elogio à Mediocridade

"A parte mais feia do teu corpo é a tua mente." (Frank Zappa)

20070914

Escambo, o escambau!

Mocinha do caixa: "É pra entregar?"
Mocinha consumidora: "Não. É só pra enfeitar. Daqui a pouco, tudo será devolvido às suas respectivas prateleiras..."

(Silêncio. Olhar de soslaio versus rubor facial.)

Mocinha do caixa: "Balinha de troco?"
Mocinha consumidora: "NÃO! Ou quer que na próxima vez eu traga saquinhos de balas pra pagar as compras?"

(Silêncio. Ruídos consumistas ao fundo. Sorriso irônico versus mãos repletas de moedas catadas, uma a uma.)

Virtuose Negligente

"Eu não respeito mais os leitores: como pude escrever para leitores?... Mas eu me anoto, para mim." (Friedrich Wilhelm Nietzsche)

Bulimianorexia Embol(or)ada

Preciso vomitar
antes que o Establishment
trans(de)forme-me
em bolo fecal.
Laxar!
Esporrar!
Desintoxicar!
É tudo a mesma merda...

Nome de remédio: "LEXICAL"?

(VIDE BULA!)

20070910

Vãs e agonizantes criaturas...

Vãs e agonizantes criaturas
emergem de minh'alma
Burlei a mentirosa embriaguez
e não mais ouço meu brado
ante estas tão dolorosas suturas
Belas são as incertezas
duma frágil e doentia mente
Amigos, eis o nosso maior fado:
enfrentar a própria lucidez.

20070904

Criança Falida

A sinceridade e a pureza não se encaixam nos moldes mundanos.

Jazzística

O Improviso é bem diferente da jaguarice* do gratuito ruído.

(Meu feeling é cacofônico.)

* A título de maior "compreensão"... Jaguarice: caráter de jaguara.
Jaguara: [Do tupi-guar.]
S. m.
1. Bras. PR RS Vira-lata (1).
2. Bras. PR Pessoa ordinária, de mau caráter.
(Dicionário Aurélio)

20070903

O Hadouken de Jim Morrison

"I'm the Lizard King... I can do anything!" (James Douglas Morrison)

(HOHOH! Quem é o Akuma perto disso?)

Auto-implosão

O silêncio nos faz ouvir o próprio grito.
(Explosão contida?)

Indigestão

Desbastando e ruminando idéias. (D)esculpo... Ou simplesmente ENGULO?

Reflexos

O Príncipe e a Rosa, o Sol e a Princesa...
O Príncipe doura sua Rosa e a Rosa "rosa" seu Príncipe.
Jogo de espelhos em idem e vice-versa.
Infinito.

Pam & Jim


"I think I was once
I think we were

Your milk is my wine
My silk is your shine"

(James Douglas Morrison)

20070901

Uma Rosa entre tantas outras...


"Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo". (Antoine de Saint-Exupéry - "O Pequeno Príncipe")

20070831

A Fotografia Enquanto Instância Apocalíptica


Aqui apresento-lhes um texto que compus em Novembro de 2004.

Fotografia: ciclópico vício impregnado de um inconsciente medo da morte. Como extensão do olho humano, a câmera satisfaz-nos desejos de omnisciência e talvez seja o aparato mecânico que mais se aproxima do voyeurismo.
As imagens brotam com a instantânea perda das dimensões temporais, espaciais e existenciais. O fotógrafo e o espectador, sujeitos cuja essência é a imaginação, acrescentam a esses momentâneos registros um importante aspecto que lhes proporciona autonomia e in(di)visibilidade – o caráter subjetivo. A magia do invisível na fotografia vem à tona com a infinitude interpretativa de uma imagem. Entende-se, desta forma, que ela não constitui mero instrumento de frieza documentária, "congelante instantâneo". Muito mais que isso, agrega o modo particular de ver do autor (o que é o autor?) e do fruidor – daí a sua indivisibilidade como (id)entidade móvel. A fotografia é una em sua composição ao mostrar que "isto é tal (e foi)", mas não-estática quando submetida ao filtro de um ser-no-mundo.
Na imagem fotográfica reside o temor à efemeridade mundana e a consciência da implacável morte. O Homem encontrou uma maneira de "parar" o tempo e o espaço nesta representação de momento. O que se repete na imagem como algo registrado nunca mais se repetirá e está morto. Além de expressar a dimensão existencial do "imaterial" que não virá a acontecer novamente, a foto é também perecível em sua materialidade: papel e sais de prata.

Natimorta, amorfa em essência e inclassificável, a arte de fotografar reproduz imageticamente a dicotomia vida/morte e a dialética do ser/vir-a-ser (ou o que foi). A fotografia não se restringe à estética de suas imagens mecanicamente geradas; é tão complexa e angustiante quanto a existência humana.

Imagem: A primeira de minhas autofotografias através de uma Pinhole.

Sussurra ao pé de meu ouvido...

Sussurra ao pé de meu ouvido
as mais doces palavras,
meu amigo, meu querido
A contemplar a névoa noturna
ainda vislumbro um raro fulgor
Fascinante brilho no firmamento
Na sua efemeridade, surge-me o teu sorriso
a embriagar-me com teu puro Amor
Eis a eternidade
num singelo momento
Único desejo, inextinguível fogo.

És tu! És tu, meu amigo, meu querido!

20070830

Humanos?

Grandes bolhas de sangue imundo!

20070828

Do Erro

Errar nada mais é do que cavalgar o incomum a desbravar as sendas do óbvio.

Abduzida

Fragilizada, através da esquizofrenia me afirmo.

De Berço

A angústia é mãe da insanidade.

20070827

Esquizofrênica... Queiram como quiserem!

"Je n'attends plus personne
non, je n'attends plus rien
je n'attends plus personne
non, je n'attends plus rien"
(Françoise Hardy)

20070824

"And no one sings me lullabies"...

Em sonhos desenterrei quatro mortos.
Um deles, reluzente-esverdeado, queria a minha cabeça.
Eu o amo.

(... "And no one makes me close my eyes".)

Não agüenta?! Beba leite!

Se tudo der errado, tornarei-me a versão feminina de Zaratustra.

20070822

"Les Mots et Les Choses"

Que tu m'enterres, Foucault!

Spleen-Lung

"Quando não há o amor, há o vinho; quando não há o vinho, há o fumo; e quando não há amor, nem vinho, nem fumo, há o spleen. Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema." (Álvares de Azevedo)

(Negro líquido. Sem a vesícula biliar.)

20070818

Cinderela-Barbarella

Oh, eis a tragicômica vida de uma Cinderela (ou Barbarella?) que ainda não encontrou seu navio de cristal no planeta Lythion... Onde está o meu Pygar?

Zarpar e pastar!

Quanto a mim, só preciso de um navio de cristal... E de uma pasta A11 pros preciosos palimpsestos.

Efervexistência

A existência é demasiado turbulenta... Efervescência vital?

Acerca da Artic'antártica Ambrosia [Mesca(ro)lina, decerto!]

A catarse dum catar:
Catraca.
Teleférico.
Sacarose.
Desértica dessecação!
Corcova?
Dessert...

(Cataplética.)

20070817

Simulacros Enlatados (ou... "Pintar não é afirmar")

Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell...

(Cansei.)

20070816

Sim, eu vinha obscura...

Sim, eu vinha obscura
ao teu encontro.
Esta delicada mulher
cobria-se com um véu
do qual só tu poderias
vislumbrar o interior.
Esta delicada mulher,
de viés, pouco a pouco,
se desvencilhou
do negrume d'alma.
Eis-me aqui,
fêmea refeita.
Nos teus braços,
meu querido,
sinto-me eterna.
Entrego-me a ti
qual vívida flor.
Plena é a ternura
deste Amor.
Sim, um furor lívido!

Testando os limites...

"Tudo se ativa quando acumulam-se as contradições." (Gaston Bachelard)

Vontade de Potência

A vida embriaga. Cabe a nós interpretar os seus "efeitos".

20070814

Omphalós

Ó, onanistas!
Percebei que vossas (on)fálicas bolhas estão a murchar?

Ácida?! Não... Ácidula!

Nem corrosiva demais, nem enjoativa em demasia.

20070813

Reiterando a mim mesma...

O Tempo ainda é o mais sábio dos "oráculos".

Atemporal

O Tempo nos deve um futuro porque ao Futuro permitimos o seu devido tempo.

Snapshot!

"Cure blindness with a whore's spittle." (James Douglas Morrison)

20070812

Ultraviolência

Quando os golpes verbais não lhes são suficientes, meus queridos amigos... Vocês então optam pelas agressões físicas?
Digam-me!

(Atirem suas pedras!)

Anos 60 não vividos... (Mas ainda vívidos)


Os quais, de forma inexplicável e misteriosa, este pequeno coração perpetua e valoriza. Os tempos do Amor (sim, com "A" maiúsculo) ainda "puro" e, acreditem, inocente. Prestem atenção (coisa difícil, hoje em dia, non?) a qualquer música da Françoise Hardy e comprovem. (Sintam-se à vontade para me chamarem de piegas, contemporanóides!)

"(...) bem, até isto você preservou no seu blog, a beleza daqueles tempos singelos..." (Rafael Alencar)

A sensibilidade e a poesia tornaram-se peças de museu na era do consumismo. Eis a pós-modernidade. A woodstockiana* Babilônia está de volta.
Anatematizada do "Establishment", talvez eu ainda seja uma rara sonhadora...

* Observação: compreendam que jamais depreciei o histórico movimento sessentista chamado Woodstock. A menção é pura e simplesmente à "liberdade inconseqüente" de que foi impregnado o Amor através desse revolucionário evento. Rebeldia (sempre) necessária ao longo da História dos Homens... Pois bem, não sou reacionária.

Imagem: Françoise Hardy & Jacques Dutronc.
(Ah, l'amour d'un garçon...)

20070811

Indecisão?

"só isso livra de todo sofrer -
escolhe então:
a morte súbita
ou o longo amor."
(Friedrich Wilhelm Nietzsche)

As I look back...

"As I look back
over my life
I am struck by post
cards

Ruined Snap shots

faded posters
Of a time I can't recall"
(James Douglas Morrison)

Fairy Riflewoman says...

I just bought a cool new rifle. I'd love to use it... On a human!

Pequena Homenagem Oracional*

Salvai-vos, artistas!
Perpetuai, ó sublime espécie de insanos academistas!
Opífices! Artistas?
Ó, Escola de Belas-Artes!
Que vossas entranhas gerem mentes egotistas e alienadas...
Artistas?
Massageai, ó antro apolíneo, os egos de vossas crias.
Regurgitai vossas obras, narcisistas!
Ó, jactai-vos e defecai virtuosos monumentos!
Reinai, ó soberana técnica!
Cobri a Belas-Artes de fel e fazei do atelier o céu!
Abençoai os artistas eternamente.
Amém.

* Dedicada ao meu querido antro universitário.

20070810

Delicadamente digo a vocês...

Muitas vezes, finesse é injustamente confundida com frescura.

(Não é um belo discernimento?)

"Ceci n'est pas une pipe"

"Faz-se ver pela semelhança, fala-se através da diferença. De modo que os dois sistemas não podem se cruzar ou fundir (...) Mas pouco importa o sentido da subordinação ou a maneira pela qual ela se prolonga, multiplica e inverte: o essencial é que o signo verbal e a representação visual não são jamais dados de uma vez só." (Michel Foucault)

(E eu sou uma farsa ante o Establishment.)

"Ó, povo prascóvio!" (Com licença, Guimarães Rosa!)

Vós sois humanos, demasiado humanos!
Jamais esquecei-vos disso.

Amém!

Epitáfio do Lapidado Artista

"Primoroso, divino, perfeito!"
Lapidescente "arte". Fossilizada.
Atirem-se polidas pedras contra essa lápide!
Oremos!

Ah, as Ciências Humanas...

O Mesmo versus o Outro. Alteridade. Mimesis. Articulações atemporais e a proximidade das coisas. Continuum. Aemulatio. Caricaturas? A enfermidade transposta em meras identidades. O Homem é uma invenção recente. Efêmera.

Volátil Absorto

Rubra capilaridade... Absorvo-me em meus longos e tensos fios.
Coração de papel-guardanapo-palimpsesto. Fluxo constante. Dobro a fina folha e tudo volatiliza-se num só instante.

20070809

"Break on Through"

"When men conceived buildings,
and closed themselves in chambers,
first trees and caves.

(Windows work two ways,
mirrors one way.)

You never walk through mirrors
or swim through windows."
(James Douglas Morrison)

A Jim Morrison

A JIM MORRISON
Percebes?

O caos é cáustico
e mora em ti,
sarcástico
xamã!

Dose catártica,
ode a Dionísio.
Ah... Embebe-te,
orgástico!
Embebe-te a mente
no catalítico
ébrio clima.
Tenho a tua semente
nova, extática.
Em mim, um cataclisma
ático
premente.
Podes sentir?
Tenho-te a ti
num cósmico
quente
e casto
amor.
O prazer é narcótico.
Tenho muita dor...

Cura-me desse vício!

Hermética, eu?!

Pois bem... Desvendai meus "segredinhos" através da Hermenêutica, caríssimos!

Pós-Modernidade? Morte da Arte?

"Acreditar no mundo é o que mais nos falta; nós perdemos completamente o mundo, nos desapossaram dele. Acreditar no mundo significa principalmente suscitar acontecimentos, mesmo pequenos, que escapem ao controle, ou engendrar novos espaços-tempos, mesmo de superfície ou volume reduzidos (...) É ao nível de cada tentativa que se avaliam a capacidade de resistência ou, ao contrário, a submissão a um controle." (Gilles Deleuze)
"É fácil fazer corresponder a cada sociedade certos tipos de máquina, não porque as máquinas sejam determinantes, mas porque elas exprimem as formas sociais capazes de lhes darem nascimento e utilizá-las. As antigas sociedades de soberania manejavam máquinas simples, alavancas, roldanas, relógios; mas as sociedades disciplinares recentes tinham por equipamento máquinas energéticas, com o perigo passivo da entropia e o perigo ativo da sabotagem; as sociedades de controle operam por máquinas de uma terceira espécie, máquinas de informática e computadores, cujo perigo passivo é a interferência, e o ativo, a pirataria e a introdução de vírus." (Gilles Deleuze)
O virtual de Deleuze – ao contrário do virtual de Baudrillard, que se restringe a uma construção de camadas sobrepostas de "miragens" – carrega, como parte constitutiva de um plano de imanência, imagens portadoras de potências de transformações e devires. Acrescente-se que o virtual deleuziano não se restringe meramente a um enunciado discursivo sobre o ciberespaço – pode ser isto, mas é muito mais, pois implica as "vontades de potência" de criação de devires, de desejos e subjetividades que se voltam para a re-atualização do atual como "vacúolos" que produzem resistências às estruturas molares de normalização das tecnologias para a reprodução de dominações soberanas.
O virtual é o spatium de manifestação dos vacúolos como acontecimentos que atropelam e passam por todos os componentes da história que procuram cartografá-los para melhor dominar e controlar. O atual é re-atualizado pela força do virtual tal como a força de uma imagem que adquire potência – exemplifiquemos isto com movimentos como o "Maio de 68" ou a apropriação das tecnologias como dispositivo de contrapoder por parte dos jovens punks.
(...)
Talvez não se trate, como postula Deleuze, de retomar a palavra, a fala e a comunicação, instâncias apodrecidas pelo uso recorrente da dominação, mas, nos atos de resistências nas ruas e no ciberespaço, produzir o "ruído" que subverte os padrões normativos e de controle da comunicação.
É certo que o "não-lugar", esta instância devírica e desterritorializante da pós-modernidade, corresponde ao que Foucault chamou heterotopia. De modo a correlacionar a re-criação do não-lugar da linguagem a partir do "ruído" do contrapoder, novamente apontemos Deleuze: "Criar foi sempre coisa distinta de comunicar. O importante talvez venha a ser criar vacúolos de não-comunicação, interruptores, para escapar ao controle."
E eis a questão que não se cala: será que estamos então vivenciando um simulacro pós-moderno do niilismo impregnado da "morte da arte"?

Assunção das Feridas

A honra duma idiota: orgulho (des)ferido pelo espelho. Eis sua tríplice emblemática ri(t)mada:

Conferir
Aferir
Deferir

Três lesões, três sinais.
Quebrada a superfície, basta um só estilhaço para desmoralizar seu Narciso. Contemplemos a tragédia!
E sigo proferindo sem qualquer titubeio (ciente da minha vaidosa condição de imagem, mera imagem):
"Vanitas vanitatum et omnia vanitas."
Parênteses...

Miríades Coloidais

Partículas em suspensão me fascinam. O olhar caosmótico que abarca tantas (im)possibilidades revela dimensões infinitas num só instante.
Movimentos. Agite antes de usar. Dilatem-se todos os esfíncteres!
Apenas um hiato (criativo).
De praxe.

"Comp'nee... Halt!"

Agregai-vos às soldas, ó soldados desconhecidos! A inteligência e o sentimento já se tornaram relíquias neste mundo! Regurgitai vossas entranhas e então sabereis o quão cáustica é a soda!

(
Insanos liames léxicos... I.L.L.!)

Complexos Tamanho A11(?)

Prefiro transformar tudo em palimpsestos quase in(di)visíveis. É maravilhoso se sentir como uma lupa!

20070808

Espaço Urbano, Política e Cidadania

Eis a transcrição dum texto-relâmpago que compus durante uma aula de Urbanismo em Agosto de 2002. Perdoem eventuais obviedades e repetições.

Aqui proponho a discussão e a exposição de um assunto vital: o caráter do espaço urbano referenciando-se nos conceitos de "público" e "privado", na mobilização social e na qualidade de vida. A sociedade e a Cidade movem-se em espaços físicos e mentais, os quais pertencem, por excelência, ao domínio público. Isto implica que a implementação da melhoria na qualidade de vida através, por exemplo, do estabelecimento de uma legislação do uso e ocupação do solo, seja uma ação de cunho público - uma res publica. Aí é que reside o problema, pois justamente esta dimensão pública vem se perdendo na sociedade contemporânea, o que constitui um entrave à sobrevivência do bem público e à dignidade existencial dos indivíduos.

Esta crise nas cidades não é tão recente quanto parece. Na verdade, originou-se com o advento da sociedade moderna. O que aconteceu desde então foi a progressiva redução do espaço público nos níveis físico, ético e político. Sim, houve a gradativa deterioração do sentido existencial do domínio público e do sentido de "habitar". Desta maneira, persisto na idéia de que a questão da melhoria na qualidade de vida ou de qualquer tipo de intervenção no ambiente urbano não dependem simplesmente de um mero planejamento ou solução técnica, urbanística, mas sim, da reavaliação e reformulação de alguns valores assim herdados.
"Habitar", do latim habere, significa ter-se, construir-se, tomar posse de si. A dimensão existencial de habitar, tão bem exemplificada nas grandes sociedades que desenvolveram a cidadania, como Atenas e Roma antigas e Florença no século XV, constitui o cerne desta questão. Ocorre que, nessas sociedades, a nobreza do espaço público caminhava junto com a participação política dos indivíduos, dos cidadãos.
Além disso, o sentido da vida pública exaltava-se na dignificação do trabalho de cada um e da comunidade, o que se refletia no bem-estar social, espiritual e na exemplar gestão administrativa. Hoje há uma deturpação desse caráter da Cidade. Percebemos que o espaço privado se estendeu e se superpôs ao espaço público. O que é que temos hoje? Uma disputa cada vez mais animalesca entre interesses particulares – incluindo os pequenos grupos, ressalte-se – e uma alienação da população com relação à política e às legislações no plano urbano.
O sistema capitalista transformou a Cidade em valor de troca e circulação de mercadorias. Vulgarmente em prol do mercado. E o Estado? O Estado a esta altura já se desvinculara da sociedade civil e agora atua como especializado órgão gestor da economia. E o cidadão? O cidadão tomou o nome de contribuinte, alienou-se da vida pública e, por isso, sente-se incapaz de agir, transformar e construir a "comunidade social". Ou seja, deixou de ser cidadão. Está aí a origem de tantas contendas e do desinteresse da sociedade pela política e pelas leis que a regem, sendo que a participação pública seria crucial na elaboração de tais leis.
Assim, como já é bem sabido, as decisões, que seriam públicas lá na antiga Atenas, hoje, no mundo capitalista e teoricamente neoliberal, se concentram em guetos e refletem os interesses dos poucos que destes participam. Não é de se admirar que a mobilização social seja quase nula. A sociedade consumista desenvolveu a apatia.
É preciso que o Estado re-examine seu papel, recoloque o cidadão no lugar do contribuinte e harmonize as noções micro e macroespaciais. Espero ter deixado claro que uma "cidade ideal" não depende somente de bons profissionais que remanejem seu espaço ou de uma administração eficiente e multiplicadora de leis, mas sim, de (r)evoluções internas decorrentes da revisão dos valores de espaço público e privado e cidadania. Ainda há quem pense nisso.

Belo Ritornelo!

"A psicose revela um motor essencial do ser no mundo." (Félix Guattari)

20070805

Um Brinde

Viva a discórdia!

Vivos Escombros

Desconstruir a arquitetura deste misterioso c(a)osmos: eis o eterno retorno ao cálido útero da gênese. Corações em posição fetal. Frágeis nervos, músculos ainda inaptos. Dormência. Sim, a vida rudemente se encerra numa confortável redoma. A condição humana contempla e legitima o cio da existência escravizada. Sim, vejo todos os alicerces abalados. É hora de reconstruir sobre o abismo.

20070804

Enquanto isso, à luz da Sabedoria...

O mestre chinês contempla sua transbordante xícara de chá.

(Oh, quão virtuoso!)

Cadência

Loga-ritmos...
Percebes como a escala numérica é NUMB-ER?
Números entorpecentes.
Hiper-realidade pitagórica.


(Comfortably numb...)

20070803

Entre o Fuzil e o Penso

Sim, meus caros amigos!
Estou tendo "pequenos" e densos acessos de ódio e auto-implosão. Por não entender nada. Por conjecturar demais e conjurar contra mim. Por tudo e por algo que se tornou nada, de repente. Ainda consigo conviver com os escombros e com as fraturas expostas.
Atiro contra as estrelas, então.
E que elas caiam, enfim, qual mísseis.

(Bem, não fui pulverizada ainda...)

Chanson d'O

Ensimesmada.
Em Si sustenido ou Dó bemol... Bela tautologia!
Dó de si?!

(OH!)

Além-córtex

Descompartimentação cerebral.
(Com)pressão intracraniana.

Atraso de Vida

Coisas pra fazer hoje:
-Mais um risquinho na parede;
-Inflar as vísceras com algo comestível, de preferência;
-Inventariar variáveis ocultas.

Admito!

Certas "teorias" inspiram autoflagelação, mesmo.

Orkut (S)crap!

Vós sabeis que isso induz à compulsão!
Para tanto, a orkultura de lactobacilos cresce exponencialmente.
A sociedade de controle projeta-se num simulacro lácteo.
Eis-nos diante do Panóptico virtual que aqui coalha e por todos olha.
(Sor)riam!
Voltarei à minha cela acolchoada.
(Sor)rindo.

A propósito...

O Tempo ainda é o mais sábio dos "oráculos".

Tempo

Tento "apressar" o tempo com o meu hálito...
Mas o tempo precisa tão-somente de suas asas!
O aquecimento deve ser natural pra que o vôo seja livre e tranqüilo.

Aphorismo 56992

A vontade de potência brinca com a vida.

EFEito-túnel

Pra que ela se transforme na Feérica-Fuzilêra-Filha-do-Foucault, pressione F4.

"Ay me..."

Artista de merda ou merda de artista?

Pink (Floyd) is The Colour

"You can paint it any colour you like, so long as it's black." (Henry Ford)

(Sus)pirei

Rumores de conchas vazias.
O absoluto do refúgio e os heroísmos da escada.

20070802

Ouvi-me, cabeludos...

Vossos cabelos são a extensão de vossas altivas almas!

5:55

Aqui estou: nervo, músculo, osso e alma. Ensimesmada, estranho-me a mim mesma. Cisão de um microcosmo. Mitose maligna... Cancerosa? Algo entre a gênese e o caos. Aconteceu um massacre. O fio mental foi rompido! E o fluxo... O invisível fluxo vital está se extinguindo! Rápido! Preciso de mais cápsulas! Quero a panacéia encapsulada, injetável, volátil... Tenho ânsia de superdoses! Idéias me viciam! Carência de inspiração. Quadro grave de insuficiência criativa, eis o diagnóstico. Excepcionalmente fora do ar. Fora de mim. Pressinto a morte. Não, a poesia não feneceu: apenas adormece. De idéias, pensamentos e vontades, me restam mínimas doses. Insuficientes! A validade também já expirou. Quem ESTOU agora? Faz tempo que o céu nublou. Falta-me o Sol! Nos dilúvios me afogo. É noite. Agora tateio o solo, só... Volto à infância. Sinto medo do escuro. Medo desconhecido. Medo do medo. Sou a menina insegura e desamparada que engatinha pela terra úmida. Correm lágrimas. Ansiedade. A incerteza me antecipa o sofrimento. Às vezes tenho vontade de regredir mais ainda. De repente, eis que ergo-me mulher. Susto? Choque? Conflito? A vida é um eterno teste. Sou humana, demasiado humana. Sinto-me escravizada. Tolhida. Vazia. A leitura médica acusa: depressão. Mera terminologia da psiquiatria. Fria e reducionista. O espelho é meu maior aliado-traidor. Minha percepção quer transcender os limites da matéria. Busco a essência perdida(?). Sim, as mãos de Deus hão de conduzir-me e fortalecer-me nesta caminhada. Procuro paz, enfim. Quero me encontrar novamente.

Lenta overdose de sonolência...

Ainda posso ouvir canções de ninar ao fundo.
Coração em posição fetal.
Aqueço-me, então, ensimesmada.
As estrelas amparam-me diante da breve morte.
Um abismo estéril.
Deserto.

20070801

Melancolia Ensolarada

"A l'aurore je suis née

Baptisée de rosée
Je me suis épanouie
Heureuse et amoureuse
Aux rayons du soleil
Me suis fermée la nuit
Me suis réveillée vieille

Pourtant j'étais très belle
Oui, j'étais la plus belle
Des fleurs de ton jardin"
(Françoise Hardy - "Mon Amie, La Rose")

É assim que engulo...

Puramente e a seco.

(Mais uma dose, por favor...)

Mais uma Ferida

Quantas mais me bastam?!

20070731

Your Art is Crap!

Reflexões(?) sobre a expressão artística me dilataram todos os esfíncteres. Ao pé da letra, uma bela conclusão: a Arte é oriunda das extremidades. Sim, originária dos extremos! Das paixões... Catarse! Dos excessos para a ascese. Conceitos são figuras demasiado estéreis. Etéreas. Eis um dos maiores dramas da dita pós-modernidade (sorriso irônico).

20070730

(C.O.F.(FEE)T.)

A tautologia escatológica ou, simplesmente, uma histérica histrionice histórica. Eis que a Feérica Fuzilêra brada:
- CÁ, PÉ ANTE PÉ, A FÉ! - E empunha seu melhor fuzil.
- ADSUMUS! - Por fim, ergue o terceiro dedo de uma das mãos.

Nihil

A crença é uma caricatura da (super)ação.

20070723

"Teus olhos claros são meu farol"

"Diz ela: 'Olhos sempre negros, os teus'. A pupila dilata para abarcar o objeto da visão." (James Douglas Morrison)

Digo eu, pra mim mesma: "Olhos injetados, os teus!"
Sim, eles me protegem do desejo à medida que verto lágrimas.

20070719

Por favor, doce camponês...


Por favor, doce camponês...
Desenha-me uma redoma!
Os poentes raios
agora me crispam o rubor
e eclipsam este pequeno coração.

Por favor, doce camponês...
Constrói-me uma redoma!
Estou a fenecer no teu jardim
Deixa que o arco-íris
atravesse este frágil vigor
a sussurrar uma última canção.

Por favor, doce camponês...
Destrói esta redoma!
Eis que Vênus
do firmamento nos contempla
Meu corpo, meus espinhos, teus cabelos
O derradeiro momento da dor
Ao sabor do relento
desfaço-me das pétalas
Um singelo adeus
sopro-te com o vento.

20070718

Aphorismo 2112

Pensamento complexo, idéia sem nexo.

20070716

Atirem nos Olhos!

Eis que surge a vez de as linhas de fuga fuzilarem a mira... Ponto cego!
Então, finalmente, fixo meu olhar no ponto cego.
E assim fuzilo todas as linhas de fuga.

"Let's steal the eye that sees us all." (James Douglas Morrison)

Pow R. Toc H.

V.T.N.H.!
D.? N.?!
E.E.O.D.N.C.E.R.!

20070708

E assim cantou Françoise Hardy

"When the roses sweetly growing
Lose their petals one by one
Let my name be sorrow
Let my name be sorrow"

(Algumas lágrimas.)

20070617

(Im)pureza

"Confio-me a mim mesma", diz a criança confidente.

Ao Protagonista

É no reflexo âmbar do sol poente que te vejo. Sombras azuladas, róseo firmamento. Nas nuvens sigo os teus silenciosos passos.
Tu és puro, meu amado. Somente tu sacias a minha sede de viver em paz.
A correnteza, fluindo docemente, ainda nos trará surpreendentes alegrias.

Vem, minha criança... Experimenta essa doce sinestesia de tornarmo-
nos um só!

20070611

Assim Falou a Rosa


Anunciava-se então o verão refletindo tons de âmbar, cobre e ouro ante estes olhos infantis. Era eu ainda um frágil botãozinho de rosa e mal sabia do tesouro que o Sol ali encerrava. Eis que aquele fulgor dourado finalmente converteria em nobre forma de vida um simples saber-existir: sim, ele chegou! Descera à Terra o principezinho de cabelos e alma ígneos.
Logo cedo tomou para si a existência como eterna e intensa chama. Cabelos dourados. Mente brilhante. Misterioso relance de beleza e furor poético. A criança queimava por dentro e deixava rastros de admiração entre muita gente grande. Sim! Esse garoto, ainda pequenino, conseguia aplacar os adultos com seu poder de fogo. Era devastador sem ferir, o que lhe atribuía incomum maestria.
Ora genial, ora ensimesmado, precocemente aprendeu a construir sua própria fogueira - para ele, a expressão da pureza e a contemplação da sabedoria se fizeram ricos mananciais em meio ao deserto. Assim, o Pequeno Príncipe crescia no seu mundinho. E ali se fez senhor de si, revolvendo cuidadosamente os vulcõezinhos ("Quem é que pode garantir?") e arrancando regularmente os baobás que lhe ameaçavam atravancar o planeta com suas enormes raízes.
Espinhos e pétalas - que belas pétalas avermelhadas se abriram! Foi numa aurora de outono que, depois de me preparar com tanto esmero, despertei diante do principezinho. As quatro folhinhas modificadas em acúleos, salpicadas pelo meu corpo, eram motivo de mórbida vaidade. Na verdade, tinha medo de revelar minha fragilidade e me escondia no orgulho. Mesmo assim, o príncipe de cabelos de ouro, dia após dia e ao sabor de quaisquer intempéries, me dispensara todos os cuidados necessários.
E ele cativou esta Rosa e esta Rosa o cativou. E o sorriso daquela criança iluminada paulatinamente desarmara aquela perfumada e altiva criatura. Da efemeridade arrogante da Rosa e da simplicidade inocente do Príncipe surgiu o Amor. Amor cultivado. A Rosa embalsamava e embelezava os pores-do-sol do Príncipe e o pequeno dos cabelos dourados enchia de luz a sangüínea flor. Amor completo e perene.
Hoje as estrelas são floridas quando fito o céu. Meu Príncipe, eternamente pequeno, sorri para mim com doçura. Ouço seu riso, vejo seus olhinhos brilhando através daqueles tão misteriosos diamantes no firmamento.
Criança-flor e criança-Sol: imortais. Rubra é a pureza desse encantador fogo.

Imagem: Cortesia de João Paulo Tiago, grande amigo! Muit'obrigada, querido John!
http://joapa.deviantart.com/

20070610

Desaparente ou Desapareça!

"Tenho uma fórmula pra emagrecer até 12Kg NUM MÊS (...) Magra linda... Pra sempre... COMO??? Acesse esse site aí e encontre a resposta!!! Só passo a fórmula pra quem quer mesmo emagrecer (...) Pessoal... É tomar... E secar... É excelente!!! Mesmo!!! http://www.polobrasonline.net/liverjoice."

(Se eu sumir, me reembolsa os "investimentos"? HAHAHAH!)

Entrincheirada

Casa-caserna, quarto-quartel.

Ó, Argonautas...

Orkut = Stultifera Navis.
LAND HO!

Apupos, aplausos!

"THE WAR IS OVER!"

A Rosa e seu Arsenal

Redoma estilhaçada, fuzil sem munição.
"Vae victis!"

20070608

Espectro (In)visível

O Amor inverte a cor do narcisismo.

Radiografia-Colant XP

RADIOGRAFIA-COLANT XP
Vê!
'Eu estômago colado na coluna
'Eu pulmão calejado,
chiando ao calar
'Eu baço - ai dele! - embaçado
Ever-ão, neve, é verão!
Vê!
'Eu quinto olho-vítreo revirado
'Ua cabeça quebrada à beça
'Ua úlcera a agourar,
agora pela garganta
'Eu escarro,
'Ua merda!
Vê?
'Eu sangue que suguei
'Ua dilatada veia vermelha
'Ua energia - goza! - acumulada
Virgem cal
Extinta cal
Fossilizada.

Moradias

MORADIAS
Que posso dizer deste
ciclópico vício?
Abarca todos os desejos
e preenche páginas vazias
Meu coração é todo palavras
Relance de ensejos
em forma de olhares
Curvas macias
Largas enseadas.

Lingüiça (ou a frigideira letrada) [Parte II]

LINGÜIÇA (OU A FRIGIDEIRA LETRADA) [PARTE II]
Aflitas letras
Léxico frito
em rósea gordura
Impregnadas!
Sujeira e agrura
Agora feitas
Expostas ao verde
da luz-madrugada-quente
Apenas letras
gritam por um ruído
saboroso
Reminiscências
de perfeitas
(talvez conflitantes)
tentativas
Expressão premente.
Recheio?