20070831

A Fotografia Enquanto Instância Apocalíptica


Aqui apresento-lhes um texto que compus em Novembro de 2004.

Fotografia: ciclópico vício impregnado de um inconsciente medo da morte. Como extensão do olho humano, a câmera satisfaz-nos desejos de omnisciência e talvez seja o aparato mecânico que mais se aproxima do voyeurismo.
As imagens brotam com a instantânea perda das dimensões temporais, espaciais e existenciais. O fotógrafo e o espectador, sujeitos cuja essência é a imaginação, acrescentam a esses momentâneos registros um importante aspecto que lhes proporciona autonomia e in(di)visibilidade – o caráter subjetivo. A magia do invisível na fotografia vem à tona com a infinitude interpretativa de uma imagem. Entende-se, desta forma, que ela não constitui mero instrumento de frieza documentária, "congelante instantâneo". Muito mais que isso, agrega o modo particular de ver do autor (o que é o autor?) e do fruidor – daí a sua indivisibilidade como (id)entidade móvel. A fotografia é una em sua composição ao mostrar que "isto é tal (e foi)", mas não-estática quando submetida ao filtro de um ser-no-mundo.
Na imagem fotográfica reside o temor à efemeridade mundana e a consciência da implacável morte. O Homem encontrou uma maneira de "parar" o tempo e o espaço nesta representação de momento. O que se repete na imagem como algo registrado nunca mais se repetirá e está morto. Além de expressar a dimensão existencial do "imaterial" que não virá a acontecer novamente, a foto é também perecível em sua materialidade: papel e sais de prata.

Natimorta, amorfa em essência e inclassificável, a arte de fotografar reproduz imageticamente a dicotomia vida/morte e a dialética do ser/vir-a-ser (ou o que foi). A fotografia não se restringe à estética de suas imagens mecanicamente geradas; é tão complexa e angustiante quanto a existência humana.

Imagem: A primeira de minhas autofotografias através de uma Pinhole.

Sussurra ao pé de meu ouvido...

Sussurra ao pé de meu ouvido
as mais doces palavras,
meu amigo, meu querido
A contemplar a névoa noturna
ainda vislumbro um raro fulgor
Fascinante brilho no firmamento
Na sua efemeridade, surge-me o teu sorriso
a embriagar-me com teu puro Amor
Eis a eternidade
num singelo momento
Único desejo, inextinguível fogo.

És tu! És tu, meu amigo, meu querido!

20070830

Humanos?

Grandes bolhas de sangue imundo!

20070828

Do Erro

Errar nada mais é do que cavalgar o incomum a desbravar as sendas do óbvio.

Abduzida

Fragilizada, através da esquizofrenia me afirmo.

De Berço

A angústia é mãe da insanidade.

20070827

Esquizofrênica... Queiram como quiserem!

"Je n'attends plus personne
non, je n'attends plus rien
je n'attends plus personne
non, je n'attends plus rien"
(Françoise Hardy)

20070824

"And no one sings me lullabies"...

Em sonhos desenterrei quatro mortos.
Um deles, reluzente-esverdeado, queria a minha cabeça.
Eu o amo.

(... "And no one makes me close my eyes".)

Não agüenta?! Beba leite!

Se tudo der errado, tornarei-me a versão feminina de Zaratustra.

20070822

"Les Mots et Les Choses"

Que tu m'enterres, Foucault!

Spleen-Lung

"Quando não há o amor, há o vinho; quando não há o vinho, há o fumo; e quando não há amor, nem vinho, nem fumo, há o spleen. Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema." (Álvares de Azevedo)

(Negro líquido. Sem a vesícula biliar.)

20070818

Cinderela-Barbarella

Oh, eis a tragicômica vida de uma Cinderela (ou Barbarella?) que ainda não encontrou seu navio de cristal no planeta Lythion... Onde está o meu Pygar?

Zarpar e pastar!

Quanto a mim, só preciso de um navio de cristal... E de uma pasta A11 pros preciosos palimpsestos.

Efervexistência

A existência é demasiado turbulenta... Efervescência vital?

Acerca da Artic'antártica Ambrosia [Mesca(ro)lina, decerto!]

A catarse dum catar:
Catraca.
Teleférico.
Sacarose.
Desértica dessecação!
Corcova?
Dessert...

(Cataplética.)

20070817

Simulacros Enlatados (ou... "Pintar não é afirmar")

Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell, Campbell...

(Cansei.)

20070816

Sim, eu vinha obscura...

Sim, eu vinha obscura
ao teu encontro.
Esta delicada mulher
cobria-se com um véu
do qual só tu poderias
vislumbrar o interior.
Esta delicada mulher,
de viés, pouco a pouco,
se desvencilhou
do negrume d'alma.
Eis-me aqui,
fêmea refeita.
Nos teus braços,
meu querido,
sinto-me eterna.
Entrego-me a ti
qual vívida flor.
Plena é a ternura
deste Amor.
Sim, um furor lívido!

Testando os limites...

"Tudo se ativa quando acumulam-se as contradições." (Gaston Bachelard)

Vontade de Potência

A vida embriaga. Cabe a nós interpretar os seus "efeitos".

20070814

Omphalós

Ó, onanistas!
Percebei que vossas (on)fálicas bolhas estão a murchar?

Ácida?! Não... Ácidula!

Nem corrosiva demais, nem enjoativa em demasia.

20070813

Reiterando a mim mesma...

O Tempo ainda é o mais sábio dos "oráculos".

Atemporal

O Tempo nos deve um futuro porque ao Futuro permitimos o seu devido tempo.

Snapshot!

"Cure blindness with a whore's spittle." (James Douglas Morrison)

20070812

Ultraviolência

Quando os golpes verbais não lhes são suficientes, meus queridos amigos... Vocês então optam pelas agressões físicas?
Digam-me!

(Atirem suas pedras!)

Anos 60 não vividos... (Mas ainda vívidos)


Os quais, de forma inexplicável e misteriosa, este pequeno coração perpetua e valoriza. Os tempos do Amor (sim, com "A" maiúsculo) ainda "puro" e, acreditem, inocente. Prestem atenção (coisa difícil, hoje em dia, non?) a qualquer música da Françoise Hardy e comprovem. (Sintam-se à vontade para me chamarem de piegas, contemporanóides!)

"(...) bem, até isto você preservou no seu blog, a beleza daqueles tempos singelos..." (Rafael Alencar)

A sensibilidade e a poesia tornaram-se peças de museu na era do consumismo. Eis a pós-modernidade. A woodstockiana* Babilônia está de volta.
Anatematizada do "Establishment", talvez eu ainda seja uma rara sonhadora...

* Observação: compreendam que jamais depreciei o histórico movimento sessentista chamado Woodstock. A menção é pura e simplesmente à "liberdade inconseqüente" de que foi impregnado o Amor através desse revolucionário evento. Rebeldia (sempre) necessária ao longo da História dos Homens... Pois bem, não sou reacionária.

Imagem: Françoise Hardy & Jacques Dutronc.
(Ah, l'amour d'un garçon...)

20070811

Indecisão?

"só isso livra de todo sofrer -
escolhe então:
a morte súbita
ou o longo amor."
(Friedrich Wilhelm Nietzsche)

As I look back...

"As I look back
over my life
I am struck by post
cards

Ruined Snap shots

faded posters
Of a time I can't recall"
(James Douglas Morrison)

Fairy Riflewoman says...

I just bought a cool new rifle. I'd love to use it... On a human!

Pequena Homenagem Oracional*

Salvai-vos, artistas!
Perpetuai, ó sublime espécie de insanos academistas!
Opífices! Artistas?
Ó, Escola de Belas-Artes!
Que vossas entranhas gerem mentes egotistas e alienadas...
Artistas?
Massageai, ó antro apolíneo, os egos de vossas crias.
Regurgitai vossas obras, narcisistas!
Ó, jactai-vos e defecai virtuosos monumentos!
Reinai, ó soberana técnica!
Cobri a Belas-Artes de fel e fazei do atelier o céu!
Abençoai os artistas eternamente.
Amém.

* Dedicada ao meu querido antro universitário.

20070810

Delicadamente digo a vocês...

Muitas vezes, finesse é injustamente confundida com frescura.

(Não é um belo discernimento?)

"Ceci n'est pas une pipe"

"Faz-se ver pela semelhança, fala-se através da diferença. De modo que os dois sistemas não podem se cruzar ou fundir (...) Mas pouco importa o sentido da subordinação ou a maneira pela qual ela se prolonga, multiplica e inverte: o essencial é que o signo verbal e a representação visual não são jamais dados de uma vez só." (Michel Foucault)

(E eu sou uma farsa ante o Establishment.)

"Ó, povo prascóvio!" (Com licença, Guimarães Rosa!)

Vós sois humanos, demasiado humanos!
Jamais esquecei-vos disso.

Amém!

Epitáfio do Lapidado Artista

"Primoroso, divino, perfeito!"
Lapidescente "arte". Fossilizada.
Atirem-se polidas pedras contra essa lápide!
Oremos!

Ah, as Ciências Humanas...

O Mesmo versus o Outro. Alteridade. Mimesis. Articulações atemporais e a proximidade das coisas. Continuum. Aemulatio. Caricaturas? A enfermidade transposta em meras identidades. O Homem é uma invenção recente. Efêmera.

Volátil Absorto

Rubra capilaridade... Absorvo-me em meus longos e tensos fios.
Coração de papel-guardanapo-palimpsesto. Fluxo constante. Dobro a fina folha e tudo volatiliza-se num só instante.

20070809

"Break on Through"

"When men conceived buildings,
and closed themselves in chambers,
first trees and caves.

(Windows work two ways,
mirrors one way.)

You never walk through mirrors
or swim through windows."
(James Douglas Morrison)

A Jim Morrison

A JIM MORRISON
Percebes?

O caos é cáustico
e mora em ti,
sarcástico
xamã!

Dose catártica,
ode a Dionísio.
Ah... Embebe-te,
orgástico!
Embebe-te a mente
no catalítico
ébrio clima.
Tenho a tua semente
nova, extática.
Em mim, um cataclisma
ático
premente.
Podes sentir?
Tenho-te a ti
num cósmico
quente
e casto
amor.
O prazer é narcótico.
Tenho muita dor...

Cura-me desse vício!

Hermética, eu?!

Pois bem... Desvendai meus "segredinhos" através da Hermenêutica, caríssimos!

Pós-Modernidade? Morte da Arte?

"Acreditar no mundo é o que mais nos falta; nós perdemos completamente o mundo, nos desapossaram dele. Acreditar no mundo significa principalmente suscitar acontecimentos, mesmo pequenos, que escapem ao controle, ou engendrar novos espaços-tempos, mesmo de superfície ou volume reduzidos (...) É ao nível de cada tentativa que se avaliam a capacidade de resistência ou, ao contrário, a submissão a um controle." (Gilles Deleuze)
"É fácil fazer corresponder a cada sociedade certos tipos de máquina, não porque as máquinas sejam determinantes, mas porque elas exprimem as formas sociais capazes de lhes darem nascimento e utilizá-las. As antigas sociedades de soberania manejavam máquinas simples, alavancas, roldanas, relógios; mas as sociedades disciplinares recentes tinham por equipamento máquinas energéticas, com o perigo passivo da entropia e o perigo ativo da sabotagem; as sociedades de controle operam por máquinas de uma terceira espécie, máquinas de informática e computadores, cujo perigo passivo é a interferência, e o ativo, a pirataria e a introdução de vírus." (Gilles Deleuze)
O virtual de Deleuze – ao contrário do virtual de Baudrillard, que se restringe a uma construção de camadas sobrepostas de "miragens" – carrega, como parte constitutiva de um plano de imanência, imagens portadoras de potências de transformações e devires. Acrescente-se que o virtual deleuziano não se restringe meramente a um enunciado discursivo sobre o ciberespaço – pode ser isto, mas é muito mais, pois implica as "vontades de potência" de criação de devires, de desejos e subjetividades que se voltam para a re-atualização do atual como "vacúolos" que produzem resistências às estruturas molares de normalização das tecnologias para a reprodução de dominações soberanas.
O virtual é o spatium de manifestação dos vacúolos como acontecimentos que atropelam e passam por todos os componentes da história que procuram cartografá-los para melhor dominar e controlar. O atual é re-atualizado pela força do virtual tal como a força de uma imagem que adquire potência – exemplifiquemos isto com movimentos como o "Maio de 68" ou a apropriação das tecnologias como dispositivo de contrapoder por parte dos jovens punks.
(...)
Talvez não se trate, como postula Deleuze, de retomar a palavra, a fala e a comunicação, instâncias apodrecidas pelo uso recorrente da dominação, mas, nos atos de resistências nas ruas e no ciberespaço, produzir o "ruído" que subverte os padrões normativos e de controle da comunicação.
É certo que o "não-lugar", esta instância devírica e desterritorializante da pós-modernidade, corresponde ao que Foucault chamou heterotopia. De modo a correlacionar a re-criação do não-lugar da linguagem a partir do "ruído" do contrapoder, novamente apontemos Deleuze: "Criar foi sempre coisa distinta de comunicar. O importante talvez venha a ser criar vacúolos de não-comunicação, interruptores, para escapar ao controle."
E eis a questão que não se cala: será que estamos então vivenciando um simulacro pós-moderno do niilismo impregnado da "morte da arte"?

Assunção das Feridas

A honra duma idiota: orgulho (des)ferido pelo espelho. Eis sua tríplice emblemática ri(t)mada:

Conferir
Aferir
Deferir

Três lesões, três sinais.
Quebrada a superfície, basta um só estilhaço para desmoralizar seu Narciso. Contemplemos a tragédia!
E sigo proferindo sem qualquer titubeio (ciente da minha vaidosa condição de imagem, mera imagem):
"Vanitas vanitatum et omnia vanitas."
Parênteses...

Miríades Coloidais

Partículas em suspensão me fascinam. O olhar caosmótico que abarca tantas (im)possibilidades revela dimensões infinitas num só instante.
Movimentos. Agite antes de usar. Dilatem-se todos os esfíncteres!
Apenas um hiato (criativo).
De praxe.

"Comp'nee... Halt!"

Agregai-vos às soldas, ó soldados desconhecidos! A inteligência e o sentimento já se tornaram relíquias neste mundo! Regurgitai vossas entranhas e então sabereis o quão cáustica é a soda!

(
Insanos liames léxicos... I.L.L.!)

Complexos Tamanho A11(?)

Prefiro transformar tudo em palimpsestos quase in(di)visíveis. É maravilhoso se sentir como uma lupa!

20070808

Espaço Urbano, Política e Cidadania

Eis a transcrição dum texto-relâmpago que compus durante uma aula de Urbanismo em Agosto de 2002. Perdoem eventuais obviedades e repetições.

Aqui proponho a discussão e a exposição de um assunto vital: o caráter do espaço urbano referenciando-se nos conceitos de "público" e "privado", na mobilização social e na qualidade de vida. A sociedade e a Cidade movem-se em espaços físicos e mentais, os quais pertencem, por excelência, ao domínio público. Isto implica que a implementação da melhoria na qualidade de vida através, por exemplo, do estabelecimento de uma legislação do uso e ocupação do solo, seja uma ação de cunho público - uma res publica. Aí é que reside o problema, pois justamente esta dimensão pública vem se perdendo na sociedade contemporânea, o que constitui um entrave à sobrevivência do bem público e à dignidade existencial dos indivíduos.

Esta crise nas cidades não é tão recente quanto parece. Na verdade, originou-se com o advento da sociedade moderna. O que aconteceu desde então foi a progressiva redução do espaço público nos níveis físico, ético e político. Sim, houve a gradativa deterioração do sentido existencial do domínio público e do sentido de "habitar". Desta maneira, persisto na idéia de que a questão da melhoria na qualidade de vida ou de qualquer tipo de intervenção no ambiente urbano não dependem simplesmente de um mero planejamento ou solução técnica, urbanística, mas sim, da reavaliação e reformulação de alguns valores assim herdados.
"Habitar", do latim habere, significa ter-se, construir-se, tomar posse de si. A dimensão existencial de habitar, tão bem exemplificada nas grandes sociedades que desenvolveram a cidadania, como Atenas e Roma antigas e Florença no século XV, constitui o cerne desta questão. Ocorre que, nessas sociedades, a nobreza do espaço público caminhava junto com a participação política dos indivíduos, dos cidadãos.
Além disso, o sentido da vida pública exaltava-se na dignificação do trabalho de cada um e da comunidade, o que se refletia no bem-estar social, espiritual e na exemplar gestão administrativa. Hoje há uma deturpação desse caráter da Cidade. Percebemos que o espaço privado se estendeu e se superpôs ao espaço público. O que é que temos hoje? Uma disputa cada vez mais animalesca entre interesses particulares – incluindo os pequenos grupos, ressalte-se – e uma alienação da população com relação à política e às legislações no plano urbano.
O sistema capitalista transformou a Cidade em valor de troca e circulação de mercadorias. Vulgarmente em prol do mercado. E o Estado? O Estado a esta altura já se desvinculara da sociedade civil e agora atua como especializado órgão gestor da economia. E o cidadão? O cidadão tomou o nome de contribuinte, alienou-se da vida pública e, por isso, sente-se incapaz de agir, transformar e construir a "comunidade social". Ou seja, deixou de ser cidadão. Está aí a origem de tantas contendas e do desinteresse da sociedade pela política e pelas leis que a regem, sendo que a participação pública seria crucial na elaboração de tais leis.
Assim, como já é bem sabido, as decisões, que seriam públicas lá na antiga Atenas, hoje, no mundo capitalista e teoricamente neoliberal, se concentram em guetos e refletem os interesses dos poucos que destes participam. Não é de se admirar que a mobilização social seja quase nula. A sociedade consumista desenvolveu a apatia.
É preciso que o Estado re-examine seu papel, recoloque o cidadão no lugar do contribuinte e harmonize as noções micro e macroespaciais. Espero ter deixado claro que uma "cidade ideal" não depende somente de bons profissionais que remanejem seu espaço ou de uma administração eficiente e multiplicadora de leis, mas sim, de (r)evoluções internas decorrentes da revisão dos valores de espaço público e privado e cidadania. Ainda há quem pense nisso.

Belo Ritornelo!

"A psicose revela um motor essencial do ser no mundo." (Félix Guattari)

20070805

Um Brinde

Viva a discórdia!

Vivos Escombros

Desconstruir a arquitetura deste misterioso c(a)osmos: eis o eterno retorno ao cálido útero da gênese. Corações em posição fetal. Frágeis nervos, músculos ainda inaptos. Dormência. Sim, a vida rudemente se encerra numa confortável redoma. A condição humana contempla e legitima o cio da existência escravizada. Sim, vejo todos os alicerces abalados. É hora de reconstruir sobre o abismo.

20070804

Enquanto isso, à luz da Sabedoria...

O mestre chinês contempla sua transbordante xícara de chá.

(Oh, quão virtuoso!)

Cadência

Loga-ritmos...
Percebes como a escala numérica é NUMB-ER?
Números entorpecentes.
Hiper-realidade pitagórica.


(Comfortably numb...)

20070803

Entre o Fuzil e o Penso

Sim, meus caros amigos!
Estou tendo "pequenos" e densos acessos de ódio e auto-implosão. Por não entender nada. Por conjecturar demais e conjurar contra mim. Por tudo e por algo que se tornou nada, de repente. Ainda consigo conviver com os escombros e com as fraturas expostas.
Atiro contra as estrelas, então.
E que elas caiam, enfim, qual mísseis.

(Bem, não fui pulverizada ainda...)

Chanson d'O

Ensimesmada.
Em Si sustenido ou Dó bemol... Bela tautologia!
Dó de si?!

(OH!)

Além-córtex

Descompartimentação cerebral.
(Com)pressão intracraniana.

Atraso de Vida

Coisas pra fazer hoje:
-Mais um risquinho na parede;
-Inflar as vísceras com algo comestível, de preferência;
-Inventariar variáveis ocultas.

Admito!

Certas "teorias" inspiram autoflagelação, mesmo.

Orkut (S)crap!

Vós sabeis que isso induz à compulsão!
Para tanto, a orkultura de lactobacilos cresce exponencialmente.
A sociedade de controle projeta-se num simulacro lácteo.
Eis-nos diante do Panóptico virtual que aqui coalha e por todos olha.
(Sor)riam!
Voltarei à minha cela acolchoada.
(Sor)rindo.

A propósito...

O Tempo ainda é o mais sábio dos "oráculos".

Tempo

Tento "apressar" o tempo com o meu hálito...
Mas o tempo precisa tão-somente de suas asas!
O aquecimento deve ser natural pra que o vôo seja livre e tranqüilo.

Aphorismo 56992

A vontade de potência brinca com a vida.

EFEito-túnel

Pra que ela se transforme na Feérica-Fuzilêra-Filha-do-Foucault, pressione F4.

"Ay me..."

Artista de merda ou merda de artista?

Pink (Floyd) is The Colour

"You can paint it any colour you like, so long as it's black." (Henry Ford)

(Sus)pirei

Rumores de conchas vazias.
O absoluto do refúgio e os heroísmos da escada.

20070802

Ouvi-me, cabeludos...

Vossos cabelos são a extensão de vossas altivas almas!

5:55

Aqui estou: nervo, músculo, osso e alma. Ensimesmada, estranho-me a mim mesma. Cisão de um microcosmo. Mitose maligna... Cancerosa? Algo entre a gênese e o caos. Aconteceu um massacre. O fio mental foi rompido! E o fluxo... O invisível fluxo vital está se extinguindo! Rápido! Preciso de mais cápsulas! Quero a panacéia encapsulada, injetável, volátil... Tenho ânsia de superdoses! Idéias me viciam! Carência de inspiração. Quadro grave de insuficiência criativa, eis o diagnóstico. Excepcionalmente fora do ar. Fora de mim. Pressinto a morte. Não, a poesia não feneceu: apenas adormece. De idéias, pensamentos e vontades, me restam mínimas doses. Insuficientes! A validade também já expirou. Quem ESTOU agora? Faz tempo que o céu nublou. Falta-me o Sol! Nos dilúvios me afogo. É noite. Agora tateio o solo, só... Volto à infância. Sinto medo do escuro. Medo desconhecido. Medo do medo. Sou a menina insegura e desamparada que engatinha pela terra úmida. Correm lágrimas. Ansiedade. A incerteza me antecipa o sofrimento. Às vezes tenho vontade de regredir mais ainda. De repente, eis que ergo-me mulher. Susto? Choque? Conflito? A vida é um eterno teste. Sou humana, demasiado humana. Sinto-me escravizada. Tolhida. Vazia. A leitura médica acusa: depressão. Mera terminologia da psiquiatria. Fria e reducionista. O espelho é meu maior aliado-traidor. Minha percepção quer transcender os limites da matéria. Busco a essência perdida(?). Sim, as mãos de Deus hão de conduzir-me e fortalecer-me nesta caminhada. Procuro paz, enfim. Quero me encontrar novamente.

Lenta overdose de sonolência...

Ainda posso ouvir canções de ninar ao fundo.
Coração em posição fetal.
Aqueço-me, então, ensimesmada.
As estrelas amparam-me diante da breve morte.
Um abismo estéril.
Deserto.

20070801

Melancolia Ensolarada

"A l'aurore je suis née

Baptisée de rosée
Je me suis épanouie
Heureuse et amoureuse
Aux rayons du soleil
Me suis fermée la nuit
Me suis réveillée vieille

Pourtant j'étais très belle
Oui, j'étais la plus belle
Des fleurs de ton jardin"
(Françoise Hardy - "Mon Amie, La Rose")

É assim que engulo...

Puramente e a seco.

(Mais uma dose, por favor...)

Mais uma Ferida

Quantas mais me bastam?!