20100130

Minha Rosa

MINHA ROSA
Ah, minha eterna amiga!
Cá estou a minguar
em plena Lua Cheia.
Triste mês de Janeiro.

Ah, minha eterna amiga!
Quantos ensejos, quanta dor!
Mas os Lírios inda nos sorriem,
da aurora ao crepúsculo, confidentes.

Ah, minha eterna amiga!
Quanto suor, quanta peleia!
Deixa-me tuas pétalas afagar.
Alma desnuda, aprecio teu vigor
e assim entrego-me ao vento solar.

Ah, minha eterna amiga!
A ti, meu último desejo
cá estou a confiar.
Intempéries, lágrimas (a)fluentes.
Podes encontrar o nosso sorridente jardineiro?
Rosa, quem roubou nossa etérea beleza?
Por favor, há alguma evidência?

Ah, minha eterna amiga!
Tua fidelidade é minha pureza.

A ti, sábia flor, toda a minha reverência.

20100129

Nina

"Eu tenho uma teoria. Os indivíduos se dividem em duas categorias: os ordinários e os extraordinários. Os ordinários são pessoas corretas que vivem na obediência e gostam de ser obedientes. Já os extraordinários são as pessoas que criam alguma coisa nova, todos os que infringem a velha lei, os destruidores. Os primeiros conservam o mundo como ele é. Os outros, movem o mundo para um objetivo, mesmo que para isso tenham que cometer um crime." (Monólogo de Nina.)

"Nina" (BRA, 2004) é uma magnífica obra cinematográfica de Heitor Dhalia.
Leiam "Crime e Castigo" de Dostoiévski e percebam as possíveis similitudes.

20100120

Socorro!

Vejo tanta gente supérflua a transbordar! A inundar! A sobejar...!

EU, POR MIM, APROFUNDO-ME. MESMO.
BOBAGEM?

20100114

O Extremo do Etéreo

Sentir é primordial; "compreender" é rara consequência.

20100103

Nota Azul, Nota Vermelha

Num só fôlego. Em riste, a caneta vermelha apunhala o papel pautado. Que bela arma, que magnífico azul venoso! Sangue vertido às pressas. O fluxo e sua leda efeméride. Eternos ciclos mentais. Existência versus memória. "Por que seria o verbo assim, tão metafórico?", indaga a Loucura. Permaneço calada e então tento esvaziar-me de mim mesma. Assopro pra dentro dum balão tudo aquilo que de meu espírito aflora. Ao mesmo tempo, percebo que o aquário da cabeça revoluteia-se em polvorosa, já saturado. Não, não consigo renovar seu fluido vital, tampouco estilhaçar aquelas translúcidas paredes. Estourou-se o balão, turvou-se a água. Falta-me oxigênio. Nota zero.

Lilás

LILÁS
Ah, a simetria do sempiterno bailado!
Podes ver, noivo meu, a derradeira cor
destas enamoradas almas?
Extasiadas ante a cerúlea visagem,
erguem-se rumo ao celestial deleite.

Cor-de-rosa e azul.

Ah, aquelas róseas chamas!
Eis que, com os pés desnudos e imaculados,
adentro as sendas do nosso jardim
a emocionar-me com cada primaveril fulgor.

Cor-de-rosa e azul.

Ah, Amor meu, vem dançar!
Segura minhas orvalhadas mãos
e guiemo-nos, então, através das violáceas brumas
Por entre lírios e rosas, sinceros e pueris.

Cor-de-rosa e azul.

Lilás.