20180110

"Poupée de cire, poupée de son"


Um dos ícones da turma "Yé-Yé" francesa dos anos 1960, France Gall imprimiu o seu talento com muito louvor desde a mais tenra idade.

Sua voz agridoce, uma pintinha no alto da maçã do rosto e seus cabelos que se mantiveram por muito tempo naquele estilo "chanel" tornaram-na uma figura indelével.


Sempre a admirei enquanto aquela grande mulher que nunca deixou a peteca cair. Esse caráter de Gall demonstrou, ao longo de sua vida, o senso de humanidade e de muita força ante diversos desafios.


Em Dezembro do ano passado, foi internada devido à recorrência de um câncer. Infelizmente, não resistiu ao tratamento. Mas deixou a mensagem de coragem - sua marca registrada.


Que Deus a tenha e conforte os seus familiares e seus amigos.

E você sempre estará aqui, no meu coração, ma chérie!

OuVejam Zozoi, uma das músicas mais engraçadas da época. E a performance dela, então? =]


P.S.: Era ela, popularmente, considerada a "Lolita" de Serge Gainsbourg.

20171026

AdEvogado Papelanski



Observem a primeira imagem: de mala e cuia, pelas ruas desertas de Domingo, eis que encontrei uma surpresinha que o AdEvogado Papelanski me pregou! Isso faz um mês.

AdEvogado Papelanski é um personagem que criei em 2006, juntamente ao Willian.

Foi algo tão natural, que a sua voz, os seus trejeitos e seus costumes foram muito bem "encenados" e incorporados.

No entanto, até então, eu não imaginara colocar no papel o seu retrato.

Voilà, meus caros... Num belo dia, em 2015, fiz o primeiro desenho rápido do rosto dele.


E quem havia entrado nos palcos da VOGA, naquela época? Justamente Gilmar Mendes e Heráclito Fortes! Daí, pensei comigo mesma, rindo: "Não acredito... Sósias do ‘Devoga’ em Brasília!".

E faz algumas semanas que criei outro retrato dele.

Quem é AdEvogado Papelanski?

Tudo aquilo que até então se sabe sobre ele é que nasceu numa humilde cidade do Paraná, e que desde criança percorria os jardins de sua casa, junto à sua família, a procurar pinhões – sua maior diversão –, e assim sonhava ao observar aquelas lindas araucárias. Sonhava alto, literalmente.

Formou-se em Direito muito jovem, e a partir daí passou a trabalhar em modestos escritórios de advocacia e contabilidade. Nunca esteve satisfeito com os chefes, mas apesar dos pesares, gostava daquilo que realizava.

Ao longo do tempo, dedicando-se aos estudos, adquiriu alguns títulos e certificados. Desta forma, arranjou o seu próprio escritório, perto de sua casa.

Agora, com 80 e alguns anos de idade, conheceu um grande parceiro de guerra: Arnaldo.

Quem é Arnaldo?


Arnaldo Tjra é camponês de berço. Macilento e ágil, cresceu entre as lavouras de trigo e milho, e quando se mudou para aquela pequena cidade onde o nosso “Devoga” sempre residiu, aconteceu um encontro peculiar entre ambos.


Pois bem... Enquanto o nosso protagonista estava numa “bodega” simples, bebericando as suas doses de vodka (nas palavras dele: “bódega”), após o trabalho, Arnaldo arriou ali, cansado. Logo, nosso Devoga o chamou para fazer companhia, já bêbado. Arnaldo aceitou e os dois trocaram experiências como se fossem velhos amigos.

E foi assim que criaram amizade. Essa amizade cresceu rapidamente. Por coincidência, Arnaldo tinha alugado uma casa ali, por perto, e estava desempregado.

Então, AdEvogado Papelanski, certo dia, o convidou para ser seu chofer e caseiro. Em sua casa havia um sótão onde Arnaldo poderia se acomodar, e então levar o Devoga para seu escritório, cuidar da casa e do jardim. 

Arnaldo gostou da proposta, já que o velho era tão carismático e sincero.

E ah, sim! O futuro chofer e caseiro tinha cerca de 40 anos de idade, na época. E se mostrou muito bom de serviço, desde o início.

E hoje, é aquela rotina há anos: Arnaldo leva Papelanski ao escritório cedinho, cuida de tudo, dorme bastante, e pega o patrão de volta às 22h (mas às vezes o tempo extrapola, dependendo da quantidade de “Processos, papeladas, REPUTAÇÃO!” – Heh! Horários imprevisíveis, claro! E cada trabalho em troca de umas “doses das boas”...). 


Por conseguinte, de praxe, sempre caem numa bodega antes de chegarem em casa. Mas Arnaldo é muito responsável. Não bebe como o Papelanski. Ficam por lá cerca de 30 minutos e o patrão, já no seu lar, ainda mergulha nas papeladas. E ainda pede mais umas doses de “bódega” ao seu amigo-caseiro-chofer para a cabeça funcionar melhor. Interessante, no mínimo!

Bem, Papelanski ainda não fez a prova da OAB. Mas promete que, dentro de um ano, conseguirá o título. Também estou torcendo por ele e pelo Arnaldo, que tanto o ajuda nessa jornada.

Ah... Nos finais de semana e feriados, curiosidade, os dois vão pescar. Há um riacho bem pertinho de lá, da casa, e o Arnaldo é pescador nato! Bagual danado! Só não deixa o patrão nadar. Mas o Devoga Papelanski é teimoso, que só vendo!


Outra curiosidade: nosso AdEvogado adora pinhão assado. Só que ele é um desastre na cozinha. Por quê? Ora... Enquanto se distrai com as “bódegas”, tudo queima! Só o Arnaldo Tjra para salvar! Ufa...!


E cá entre nós... Jaguarice pouca é bobagem! Hahah!

20170915

Ônix

Sempre quis ser
o teu satélite
Selenita, que tal?
Agora elenco
tête-à-tête
contigo, o universo 
Respeitar, dividir, aprender
tudo ao mesmo tempo
E que o nosso afeto
conjugue com o eterno.

20170902

Aphorismo 8701

Regulus é o teu rectus.

20170628

Redenção

31 de Dezembro de 2016. Fim de noite.

Estava eu a repousar em um leito de hospital, me convalescendo, após uma longa e delicada cirurgia.

Olhei para a janela. Lá fora, iniciou-se um foguetório intenso. O céu se empipocava de foguetes e rojões. Eram os festejos da entrada do novo ano.

Olhei para dentro de mim. Senti que uma mão se postava sobre o meu peito. Senti que era uma mão pequena, meiga.

Logo percebi: era a mãozinha sagrada do Menino Jesus que estava me afagando. Eu já imaginava, porque antes da cirurgia pedi-lhe para que ficasse comigo e orientasse o médico e seus auxiliares.

Sua mãozinha sagrada mostrou-me o céu. Senti que estava curado, que a cirurgia foi bem-sucedida.

Sua mãozinha mostrou-me a dádiva da vida. Mostrou-me também a morte, porque é através dela que valorizamos a vida.

Mostrou-me a beleza de um simples sorriso, a meiguice de um olhar, a ternura de um abraço fraternal, o conforto de uma palavra amiga.

Mostrou-me o mundo, mostrou-me os animais que o habitam, os racionais e os irracionais.

2017 foi, graças ao pequeno Jesus, a redenção de minha vida.

Planeta Terra, pedra giratória e banal. Mas, graças a Deus, neste minúsculo grãozinho de areia perante o Universo, o Bem ainda se sobrepõe ao Mal.


Obrigado, meu Pai. Obrigado, Senhor Jesus. Obrigado e a bênção, Menino Jesus.

[Maurício Fernandino Tinoco, 71 - Papai. Junho/2017]

20170507

Tinoquices

De tanto tino, me desatinei.

20170505

Helena, Helena!


Assopra a minha sombra, Helena. Vou dormir... E tu?

(Haaah! Teu sono me desperta de bem!)

20170503

Bel-chi-or


É, seu moço! Agora tu perdeste o medo de voar.

Sim, finalmente alçaste a tão almejada liberdade ao teu bel-prazer!

Segura então na mão de Deus e vai com fé, cigano latino-americano!


Créditos da charge: Duke.

20170425

Jerry Adriani


Descanse em paz, admirável e eterno "rocker". Aprendi, através do meu pai, a ser simples como você.

Aliás, quando moço (ora, vocês são contemporâneos!), Papai era apelidado com o seu (codi)nome, tamanha a semelhança entre ambos. Mas ele não estava nem aí, e também sempre foi muito tímido - agora imagine se tivesse o rei na barriga!

Vá com Deus, meu caro. Teu talento e a tua humildade permanecerão como intocáveis referências para este mundo.

20170416

Fatal Viral


Cuidado com a "Baleia-Azul"!

Como profissional da área de Tecnologia da Informação, aqui expresso a minha profunda indignação e a minha tristeza com relação à periculosidade das coisas que circulam pela Internet.

A vulnerabilidade das pessoas ante o universo virtual é crescente, e crianças e adolescentes se tornam cada vez mais o público-alvo de muitas atrocidades psicopatas. No mínimo.

Foi noticiado o Desafio da Baleia-Azul nessas últimas semanas. Esse "jogo" causou frisson no mundo inteiro por parecer ser um confronto cinematográfico com a dor e, por fim, com a morte.

Dados revelam que, desde 2015, centenas de indivíduos no mundo morreram através dessa hipnose coletiva. Sim.

E eis que manifesto o meu asco, a minha lamentação: até onde essa falta de humanidade dessas roletas-russas em forma de "reality games" irá?

E mais... Senhores pais, responsáveis e afins, continuem a presentear os seus pequenos com celulares e computadores sem o devido controle! É nisso que dá! Agora enxergaram? Ou será que o medo de uma "cria revoltadinha" lhes causa mais receio? O buraco é mais embaixo, caros ADULTOS!

Pensem bem, corações e mentes!

Isso é um pouco do todo.

20170406

NOM


Olá, humanos! Meu nome é NOM.

Saibam que agrego toda a massa produzida pela (nossa) sociedade coprofágica. Sim!

E, em movimentos espiralados (peristálticos, para vós), já em pedaços, sempre reciclo-me neste formato. Às vezes, confesso, as formas mudam e variam muito de tamanho. Mas isso não representa qualquer problema!

Pois justifico: a demanda por carapuças está em alta nesses últimos três a quatro anos.

Haja!

20170405

Aphorismo 188752

Meu silêncio, cioso de novas canções, agora sacia-se com antigos sibilos.

20161108

Vovó Ulisséia


Sim, a Professora.
Sim, agora ela realmente descansa na plenitude da paz que sempre mereceu.

"With a Little Help From My Friends"

Aquela dor lancinante tinha me despertado de um profundo sono. O cenário era uma floresta típica do Cerrado.

É que eu havia adormecido sob um frondoso ipê-amarelo na tarde anterior, depois de um dia cheio - estava à procura de um lago para me banhar. Mal-sucedida a missão, decidi, pelo cansaço, repousar ali mesmo. E antes de dormir, minha última visão foi meditativa: emudecida, eu conversava com o céu, com as formigas, com as árvores, com as aves, com as flores e as folhas que me acolhiam. Então, pouco a pouco, entrei num transe até a manhã seguinte.

A tal da dor que me acometeu atingiu justamente a cintura. Foi uma abelha que tinha “invadido” o meu estado letárgico. Em poucos minutos, ainda que recém-acordada e perturbada por um sonho estranho, tentei retirar o ferrão. Me ajeitei, comprimi fortemente a região que doía, e segui pela esquerda. Já estaria melhor em pouco tempo.

Voltei a caminhar a largos passos.

Quando atingi o ponto alto da escarpa florestal, encontrei uma rodovia muito sinuosa e estreita. Era quase impossível atravessar o asfalto. Porém, analisando rapidamente a situação, avancei um pouco.

De repente, um enorme e ofuscante ônibus em alta velocidade me surpreendeu. Já que eu estava ali, à mercê de ter avançado mais dois passos, me encolhi por baixo dele, e consegui cumprir o meu objetivo: chegar ao outro lado.

Mas eu mal sabia por que é que estava tão convicta dessa ideia. Que obsessão seria essa, apesar do desnorteio e da dor?

A partir daí, caminhando “grudada” - e com os pés cada vez mais pesados - pelas escarpas pedregosas que margeavam o sentido que eu seguia, comecei a sentir muita sede. E toda sorte de veículos que transitava jogava-se contra o meu corpo. Só que eu me sentia cada vez mais forte.

(Passos acelerados e muito chão.)

Exausta, à tardinha, quando percebi um som cavernoso dentre as pedras da escarpa, encontrei um túnel em forma de caracol. Ousei adentrá-lo. Não era nada largo, tinha a temperatura baixa, umidade altamente concentrada e era muito, muito longo.

E o que foi que vi no fim desse labirinto? Bolhas gigantes (algumas envolvendo apenas uma criatura; outras, abarcando mais pessoas ou então se fundindo), e finalmente, o sol que me deixa hipnotizada. Havia muita gente, também.

Alguns me reconheceram e logo quiseram que eu me entrosasse com aquele bando de fanfarrões.

Acontece que eu apenas queria beber água e também nadar. Estava febril e delirante.


De qualquer forma, aceitei o convite, e ao mesmo tempo reconheci todas aquelas figuras - eram alguns dos meus ex-colegas das três universidades que cursei. Guardo em minha memória a clareza de seus semblantes amadurecidos e descontraídos.

Depois que o "estranhamento" se dissipou, me diverti um pouco, consegui reatar algumas amizades e até mesmo perdoar certos desafetos. Eu queria ajudá-los, e eles também. Me senti em paz.

Anteriormente, sozinha, eu estava literalmente na escuridão. Cega.

Acordei sorrindo.


[Registro de um sonho.]

20161021

Aphorismo 5405373

A criatura vingativa mal sabe que não está apta a enfrentar os seus próprios erros.

20151230

2016

2016 será o ano dos maratonistas.
Sim! Digo isto porque o ano que está prestes a nascer correrá tão rápido, que teremos que competir com ele.
Mas há o outro lado, sempre.
2016 logo se encontrará cansado - antes que cometamos crueldades e sorvamos cinzas.
Afinal de contas, será que 2016 conseguirá chegar à reta final, são e salvo, enquanto um bebê prematuro?

Pois bem... Desejo um feliz desaniversário a todos!

20151223

Dr. Apple


Creio que agora esteja explorando a vastidão do Universo, Júpiter Maçã!

Era tudo aquilo que gostaria de ver e sentir, não é? (A oitava efervescência, provavelmente.)

Descanse na plenitude de sua psicodelia. E, por favor, sempre nos envie um sinal intergalático!

20151103

"Ratos"

Surgem repentinamente e devoram tudo aquilo que já denominaram MEDO.

Anestesia geral, por favor...