20170628

Redenção

31 de Dezembro de 2016. Fim de noite.

Estava eu a repousar em um leito de hospital, me convalescendo, após uma longa e delicada cirurgia.

Olhei para a janela. Lá fora, iniciou-se um foguetório intenso. O céu se empipocava de foguetes e rojões. Eram os festejos da entrada do novo ano.

Olhei para dentro de mim. Senti que uma mão se postava sobre o meu peito. Senti que era uma mão pequena, meiga.

Logo percebi: era a mãozinha sagrada do Menino Jesus que estava me afagando. Eu já imaginava, porque antes da cirurgia pedi-lhe para que ficasse comigo e orientasse o médico e seus auxiliares.

Sua mãozinha sagrada mostrou-me o céu. Senti que estava curado, que a cirurgia foi bem-sucedida.

Sua mãozinha mostrou-me a dádiva da vida. Mostrou-me também a morte, porque é através dela que valorizamos a vida.

Mostrou-me a beleza de um simples sorriso, a meiguice de um olhar, a ternura de um abraço fraternal, o conforto de uma palavra amiga.

Mostrou-me o mundo, mostrou-me os animais que o habitam, os racionais e os irracionais.

2017 foi, graças ao pequeno Jesus, a redenção de minha vida.

Planeta Terra, pedra giratória e banal. Mas, graças a Deus, neste minúsculo grãozinho de areia perante o Universo, o Bem ainda se sobrepõe ao Mal.


Obrigado, meu Pai. Obrigado, Senhor Jesus. Obrigado e a bênção, Menino Jesus.

[Maurício Fernandino Tinoco, 71 - Papai. Junho/2017]

20170507

Tinoquices

De tanto tino, me desatinei.

20170505

Helena, Helena!


Assopra a minha sombra, Helena. Vou dormir... E tu?

(Haaah! Teu sono me desperta de bem!)

20170503

Bel-chi-or


É, seu moço! Agora tu perdeste o medo de voar.

Sim, finalmente alçaste a tão almejada liberdade ao teu bel-prazer!

Segura então na mão de Deus e vai com fé, cigano latino-americano!


Créditos da charge: Duke.

20170425

Jerry Adriani


Descanse em paz, admirável e eterno "rocker". Aprendi, através do meu pai, a ser simples como você.

Aliás, quando moço (ora, vocês são contemporâneos!), Papai era apelidado com o seu (codi)nome, tamanha a semelhança entre ambos. Mas ele não estava nem aí, e também sempre foi muito tímido - agora imagine se tivesse o rei na barriga!

Vá com Deus, meu caro. Teu talento e a tua humildade permanecerão como intocáveis referências para este mundo.

20170416

Fatal Viral


Cuidado com a "Baleia-Azul"!

Como profissional da área de Tecnologia da Informação, aqui expresso a minha profunda indignação e a minha tristeza com relação à periculosidade das coisas que circulam pela Internet.

A vulnerabilidade das pessoas ante o universo virtual é crescente, e crianças e adolescentes se tornam cada vez mais o público-alvo de muitas atrocidades psicopatas. No mínimo.

Foi noticiado o Desafio da Baleia-Azul nessas últimas semanas. Esse "jogo" causou frisson no mundo inteiro por parecer ser um confronto cinematográfico com a dor e, por fim, com a morte.

Dados revelam que, desde 2015, centenas de indivíduos no mundo morreram através dessa hipnose coletiva. Sim.

E eis que manifesto o meu asco, a minha lamentação: até onde essa falta de humanidade dessas roletas-russas em forma de "reality games" irá?

E mais... Senhores pais, responsáveis e afins, continuem a presentear os seus pequenos com celulares e computadores sem o devido controle! É nisso que dá! Agora enxergaram? Ou será que o medo de uma "cria revoltadinha" lhes causa mais receio? O buraco é mais embaixo, caros ADULTOS!

Pensem bem, corações e mentes!

Isso é um pouco do todo.

20170406

NOM


Olá, humanos! Meu nome é NOM.

Saibam que agrego toda a massa produzida pela (nossa) sociedade coprofágica. Sim!

E, em movimentos espiralados (peristálticos, para vós), já em pedaços, sempre reciclo-me neste formato. Às vezes, confesso, as formas mudam e variam muito de tamanho. Mas isso não representa qualquer problema!

Pois justifico: a demanda por carapuças está em alta nesses últimos três a quatro anos.

Haja!

20170405

Aphorismo 188752

Meu silêncio, cioso de novas canções, agora sacia-se com antigos sibilos.

20161108

Vovó Ulisséia


Sim, a Professora.
Sim, agora ela realmente descansa na plenitude da paz que sempre mereceu.

"With a Little Help From My Friends"

Aquela dor lancinante tinha me despertado de um profundo sono. O cenário era uma floresta típica do Cerrado.

É que eu havia adormecido sob um frondoso ipê-amarelo na tarde anterior, depois de um dia cheio - estava à procura de um lago para me banhar. Mal-sucedida a missão, decidi, pelo cansaço, repousar ali mesmo. E antes de dormir, minha última visão foi meditativa: emudecida, eu conversava com o céu, com as formigas, com as árvores, com as aves, com as flores e as folhas que me acolhiam. Então, pouco a pouco, entrei num transe até a manhã seguinte.

A tal da dor que me acometeu atingiu justamente a cintura. Foi uma abelha que tinha “invadido” o meu estado letárgico. Em poucos minutos, ainda que recém-acordada e perturbada por um sonho estranho, tentei retirar o ferrão. Me ajeitei, comprimi fortemente a região que doía, e segui pela esquerda. Já estaria melhor em pouco tempo.

Voltei a caminhar a largos passos.

Quando atingi o ponto alto da escarpa florestal, encontrei uma rodovia muito sinuosa e estreita. Era quase impossível atravessar o asfalto. Porém, analisando rapidamente a situação, avancei um pouco.

De repente, um enorme e ofuscante ônibus em alta velocidade me surpreendeu. Já que eu estava ali, à mercê de ter avançado mais dois passos, me encolhi por baixo dele, e consegui cumprir o meu objetivo: chegar ao outro lado.

Mas eu mal sabia por que é que estava tão convicta dessa ideia. Que obsessão seria essa, apesar do desnorteio e da dor?

A partir daí, caminhando “grudada” - e com os pés cada vez mais pesados - pelas escarpas pedregosas que margeavam o sentido que eu seguia, comecei a sentir muita sede. E toda sorte de veículos que transitava jogava-se contra o meu corpo. Só que eu me sentia cada vez mais forte.

(Passos acelerados e muito chão.)

Exausta, à tardinha, quando percebi um som cavernoso dentre as pedras da escarpa, encontrei um túnel em forma de caracol. Ousei adentrá-lo. Não era nada largo, tinha a temperatura baixa, umidade altamente concentrada e era muito, muito longo.

E o que foi que vi no fim desse labirinto? Bolhas gigantes (algumas envolvendo apenas uma criatura; outras, abarcando mais pessoas ou então se fundindo), e finalmente, o sol que me deixa hipnotizada. Havia muita gente, também.

Alguns me reconheceram e logo quiseram que eu me entrosasse com aquele bando de fanfarrões.

Acontece que eu apenas queria beber água e também nadar. Estava febril e delirante.


De qualquer forma, aceitei o convite, e ao mesmo tempo reconheci todas aquelas figuras - eram alguns dos meus ex-colegas das três universidades que cursei. Guardo em minha memória a clareza de seus semblantes amadurecidos e descontraídos.

Depois que o "estranhamento" se dissipou, me diverti um pouco, consegui reatar algumas amizades e até mesmo perdoar certos desafetos. Eu queria ajudá-los, e eles também. Me senti em paz.

Anteriormente, sozinha, eu estava literalmente na escuridão. Cega.

Acordei sorrindo.


[Registro de um sonho.]

20161021

Aphorismo 5405373

A criatura vingativa mal sabe que não está apta a enfrentar os seus próprios erros.

20151230

2016

2016 será o ano dos maratonistas.
Sim! Digo isto porque o ano que está prestes a nascer correrá tão rápido, que teremos que competir com ele.
Mas há o outro lado, sempre.
2016 logo se encontrará cansado - antes que cometamos crueldades e sorvamos cinzas.
Afinal de contas, será que 2016 conseguirá chegar à reta final, são e salvo, enquanto um bebê prematuro?

Pois bem... Desejo um feliz desaniversário a todos!

20151223

Dr. Apple


Creio que agora esteja explorando a vastidão do Universo, Júpiter Maçã!

Era tudo aquilo que gostaria de ver e sentir, não é? (A oitava efervescência, provavelmente.)

Descanse na plenitude de sua psicodelia. E, por favor, sempre nos envie um sinal intergalático!

20151103

"Ratos"

Surgem repentinamente e devoram tudo aquilo que já denominaram MEDO.

Anestesia geral, por favor...

20150926

Guará

Recentemente nos despedimos de um grande comunicador do nosso cotidiano radiofônico: Guará.

Ao longo de quarenta anos, tocando muita alegria ao alvorecer, Guará transmitiu sua sensibilidade através da música caipira de raiz. Isso, sem falar da sua seriedade por meio dos recados, da inigualável força ante as notas improvisadas e do seu calor humano. Era incrível!

Guará deixa um enorme hiato. Mas sua missão foi dignamente cumprida por aqui.

Vá com Deus, querido.

E não se esqueça de nos enviar um sinal faceiro pela estrada das sintonizações!

20150824

Loucura e Mediocridade

Sob o ponto de vista das pessoas "normais", indivíduos que permitem que suas faculdades mentais e emocionais fluam livremente são aqueles que se excluem da sociedade através de diversos meios esquivos.

Facilmente escrevem nas testas dos "diferentes" (do ponto de vista da "normalidade") a palavra LOUCURA. Apenas mais um estigma, o que sempre foi desprezível.

Mas esses tais medianos (ou melhor, medíocres) mal sabem o que significa isso.

O que é, afinal, a loucura? Um fenômeno natural que raras pessoas manifestam - assim demonstram corajosamente a sua capacidade de se libertar de suas zonas de conforto.

20150806

20150613

Breve Homenagem a Fernando Brant


Grande Fernando Brant...! Descanso e brado minhas lágrimas sobre as tuas inumeráveis e geniais obras, amigo!
(Mal consigo me expressar, tamanho o choque. O coração na garganta... Dói!)

Sabia que você sempre foi (e é) uma das minhas maiores influências artísticas e humanas, caríssimo? Sim, acredite!

Que Deus conforte a tua família! E vá com Ele, com esse Amor à Vida que você sempre demonstrou e cultivou livremente pelas tortuosas estradas... Voa, passarinho!


Gratidão e saudades eternas!


P.S.: 
Segundo Papai, que trabalhou com ele numa agência de publicidade entre os anos 1970/80, Fernando era um rapaz cheio de energia e simplicidade. Gente boa, de talento sem igual. =]