20080630

Cérebro?!

Enquanto jantava laudatoriamente, eis que certas vozes bradaram-me ao relento:
- QUE OS OUTROS COMPLETEM O TEU DISCURSO!
(Muito vago... Que discurso seria esse?!)
Pra mim, "discurso" é aquilo que atinge, agressiva ou aprazivelmente, o imo do estômago... O ÂMAGO DO APETITE!
(É a víscera mais sensível de nossos corpos, humanóides!)
Pois bem, caríssimos... Já dei-vos meu humilde parecer. Caso contrário, desgastai vossos preciosos e gulosos neurônios!
Já estou cansada de ouvir minhas próprias células nervosas. MONÓLOGOS! Minha alma grita, grita... GRITA POR ALGO MAIS!
E pergunto-vos, por fim:
quantidade ou qualidade? Peso ou massa?

(Quero vomitar.)

20080629

Flicts

"O mundo não é uma coleção de objetos naturais, com suas formas respectivas, testemunhadas pela evidência ou pela ciência: o mundo são cores." (Carlos Drummond de Andrade)

Pisca-Alerta

"Portanto, fiquemos alertas - alertas em duplo sentido.
Desde Auschwitz nós sabemos do que o ser humano é capaz.
Desde Hiroxima nós sabemos o que está em jogo."
(Viktor Frankl)

20080628

Insuportável Presença

Era ela uma criatura tísica. Seus cabelos, lisos e ralos, acortinavam-lhe o semblante. Suas mãos eram pegajosas e incrivelmente gélidas; seus dedos, compridos e ágeis.
Essa horrenda e tétrica imagem perseguia-me incansavelmente.
Era o Desespero. Era a Morte.
Enquanto isso, a voz de meu amado ecoava ao longe, qual sentinela na guarida: "Não reconheço-te mais, Carolina... Não mais. Não..."

(Registro do último sonho.)

20080627

Exortação ao Zoológico Humano

QUANTOS DE VOCÊS ESTÃO REALMENTE VIVOS?

IngSoc

Ideologia ou religião?
Seria o Grande Irmão o "último" dos deuses?

20080626

Valsa

Qual hastes gêmeas dum compasso, assim somos nós: enquanto uma alma circunvaga em seu percurso, a outra, a partir de seu centro, logo inclina-se em direção à primeira... E só ergue-se novamente quando seu par retorna ao ponto de onde partiu. Obliquamente vagamos distantes, mas entre nossas almas não há separação. O desenho que traçamos é dádiva de um raro amor. Amor verdadeiro. É presença que não se define debaixo do sol. Amor sublime. Ah, quem são as palavras agora? Rotos conceitos! Tão-somente tentativas demasiado humanas. Aprendi a des-definir certas coisas e assim desvencilhei-me de crenças apodrecidas. E continuo a derrotar as mediocridades mundanas.

Ziraldo

Melodia em Sol Sustenido Menor

O mistério se desfez no silêncio. Adágio. Soa então a primeira nota duma idílica sinfonia. Movimentos. Um após outro e a solidão já serenava. Arpejos irrompiam em patéticos reflexos especulares. O ocaso. Uma frágil flecha pulsa naquela pauta de metal. Furor poético. A escala cromática se esvai na tensão. O caos. Já não existem conceitos. Segue a melodia em infindáveis improvisos. O acaso. Resplandece agora luz singular. Clave de sol. Eis que surge o último sinal. Reflexos multiplicados. Ofuscante desejo. Pupilas-espelho incessantemente a pulsar. Encontro no rastro dos cabelos ensolarados. Riqueza cíclica de incomuns timbres. Mãos. O matrimônio da Natureza e do Universo. Insondável estranheza. Já não existem limites. Uníssono. Único corpo. Único espelho. Único Amor.

Frágil Rosa?

"É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me? Tu estarás longe... Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras." (Antoine de Saint-Exupéry - "O Pequeno Príncipe")